Dinheiros publicitários governamentais
Hoje em dia é fato, não tem pra onde correr: a distribuição de verba publicitária do governo federal está ampliada para uma quantidade maior de veículos de comunicação. É como aquela questão dos investimentos na cultura do texto 2 da série “dinheiro é um pedaço de papel” aqui no blog, saca? É uma política de governo interessante. Sempre vai ter quem reclame. Normal, ninguém gosta de diminuir sua renda. Quem tá ganhando muito não quer ganhar um pouco menos. Mas acho que o caminho é por aí mesmo. E isso é só uma migalha em se pensando o que poderia ser feito para a real democratização dos meios de comunicação. Mas já é alguma coisa.
É pro governo, passa a faca.
Todo mundo cobra preços maiores quando é para o governo. Quem tem empresa, é prestador de serviço ou qualquer outra coisa que mantenha relação comercial com o Estado (em qualquer âmbito, seja municipal, estadual, federal...) sabe como isso funciona. É pra o governo? Então é tanto! E aí tome-lhe faca! Experiência numa empresa em que trabalhei mostra que o preço, quando é para a Administração Pública, pode, tranquilamente, dobrar. É claro que existem algumas peculiaridades de se contratar com o governo (as chamadas cláusulas exorbitantes são exemplo) que podem até “justificar” uma cobrança a mais. Só que, com certeza, nada justifica essa forma absurda que é.
É normal se cobrar mais de quem pode pagar mais, isso acontece comumente nesse mundão capitalista de meu Deus e eu nem acho muito absurdo não. Nem só os governos sofrem com isso – apesar deles serem as principais vítimas desse tipo de “majoração precística”. Mas da mesma forma me parece tranqüila a ideia de quem ganha mais dinheiro pagar mais impostos. O que, na prática, parece que não anda acontecendo muito né? A coisa tem que ser de vai e volta.
Transferência de renda, Zoropa...
A função dos governos é ampla e ambígua, com uma série de coisas que podem ser entendidas como contraditórias até, mas imagino que a transferência de renda seja algo fundamental. Não que eu ache que devemos fazer só programas tipo Bolsa Família (que no meio do caminho perdeu a maioria de suas formas de controle gerando algumas situações não muito legais). Mas que programas desse tipo são necessários hoje, me parece ser um fato. Até mesmo para quem tem grana, essas ações são imprescindíveis para o mantenimento de uma mínima paz social.
A sensação (falei sensação e não informação concreta baseada em estudos) que tenho da diferença entre a Europa – genericamente falando – e o Brasil pode ser resumida no seguinte: lá existe alguma dignidade (materialmente falando) do trabalhador. O cara que lava o banheiro de um restaurante lá tem condição de ter sua casinha tranquila, ter seu rango na manha, ter sua diversão, viajar e ter acesso a bens básicos de consumo. Na maioria dos países de lá não é necessária um preocupação com “a moleza que é dada pra os desocupados”, com “o dar o peixe estar tomando o lugar do ensinar a pescar” porque quem trabalha lá ganha uma grana relax.
O inferno são os outros?
Existem algumas forma de realizar licitações. Licitação todo mundo tá ligado que é a forma de o governo selecionar quem ele vai contratar pra fazer determinado serviço pra ele né? Pois então... Uma das modalidades de licitação é o chamado “Convite”. Nessa modalidade (que é para gastos menores), com objetivo de agilizar o processo, é permitida a licitação com apenas 3 fornecedores, escolhidos pela própria entidade governamental. E o que acontece na prática, me parece, é um jogo de cartas marcadas. Já vi empresa pedir para outras mandarem orçamentos acima do seu pra poder “dar cobertura” ao seu orçamento e garantir o contrato que o carinha responsável pela licitação quer fazer com ela. Bizarro? Sim, bizarro.
Aí o outro diz: “o inferno são os outros”, “por isso que rolam essas coisas, se ninguém tá vendo o cara vai e escalda mermo, mete a mão”... Ah tá... O inferno são os outros é o caralho! A gente mesmo que tem que se envergonhar (perante nós mesmos) de fazer coisas que não achamos corretas. Mas se você acha o correto é isso aí, então beleza, vá lá, se jogue, vai na fé! Agora depois não vá ficar fazendo presepada de campanha “Fora Sarney” ou coisas do gênero porque está “indignado”.
Moral (?) da história
Mas acaba-se sempre na historia de “pra que a gente vai pagar impostos direito, vai cobrar preços justos na prestação de serviços pro governo se o que sobrar vai ser carcomido pela ‘usura dessa gente (que) já virou um aleijão’”? Mexeu em dinheiro parece que a coisa desanda né? É, pode até ser... Só que aceitar isso como uma verdade absoluta é entregar os pontos, desistir antes da hora. De algum lugar a mudança tem que começar. Ou a gente faz começar algo ou então a galera que vier depois vai estar se batendo com os mesmos problemas e (o que é pior) com esses no exato mesmo ponto do que estamos vendo hoje, sem ter mudado absolutamente nada. A não ser que a gente parta pra esquema revolução e lance logo pro paredão quem não trabalhar direitinho. Aí a gente vai se livrar, na marra, de um bocado de sacana que fode o baba. É, até que não é má ideia não... Só tenho medo de que, quando o paredão for instituído, do jeito que a coisa anda, não se salve muita gente pra seguir adiante com o novo projeto de sociedade.



