<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-4314285796283699384</id><updated>2012-01-07T02:55:42.896-02:00</updated><title type='text'>Caramujo News</title><subtitle type='html'>Emaranhado mensal de palavras que, às vezes, leva a algum lugar; novidades do fundo do baú e velharias recém-saídas do forno; assuntos pessoais e impessoais.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://caramujonews.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4314285796283699384/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caramujonews.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Eduardo Galindo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01888080448230785768</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_97TceR_3n1E/SbWhfMu8BSI/AAAAAAAAADE/Z86Ll9EGEzs/S220/borra.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>11</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4314285796283699384.post-6455226952733570322</id><published>2011-12-26T14:11:00.014-02:00</published><updated>2011-12-26T15:11:59.880-02:00</updated><title type='text'>Hoje é natal!</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=M9-mmS6UT-k"&gt;de estrelas no céu...&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fim de ano tá aí. Mês de dezembro, pá... Natal. Pra quem mora fora de sua cidade natal, o (período de) natal tem maior cara de aeroporto né? Ou estrada, sei lá. No meu caso tá sendo aeroporto. Pois é. Mas justamente por essa condição, esse período tem suas peculiaridades. É o tempo em que as empresas aéreas não fazem promoção – muito pelo contrário, aumentam seus preços. É também o período em que os aviadores, controladores de vôo e demais categorias de trabalhadores deste segmento tem mais força pra exercer seu direito de greve. Esses dias mesmo ouvi falar que eles ameaçaram paralisar às vésperas do natal. Escrotagem dos caras, né? Rapaz, acho não. Cada um luta com as armas que tem. Acho até a sacanagem das empresas que aumentam o preço de seus produtos nessa época mais escrota que a atitude dos trabalhadores. Num sei porquê, mas às vezes parece que a gente tem a tendência a aceitar melhor a sacanagem (em relação a nossos interesses) quando ela vem de grandes empresas, dos senhores do capital. Aceitar ou talvez nem pensar sobre essas sacanagens e encará-las como algo natural, inerente ao modus operandi do mundo. Parece que elas têm (ainda tem acento aqui? Ah, a nova ortografia...) mais direito a serem escrotas né? Até pra pechinchar a gente se sente mais à vontade pra fazer quando é de um vendedor pequeno ou de uma micro-empresa. Pros grandes fica mais chato pedir né? Lógica da porra... É aquela de “&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=uE44Ny3MXCE"&gt;quem menos tem é quem mais oferece&lt;/a&gt;”... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;Oposição Gandaia x Fé&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Natal me remete a igreja também. Igreja católica mais fortemente. E, assim, não tenho nada contra não, acho que cada um vai pelos caminhos que acha mais legal, mas acho sempre válido refletir.  Esses dias mesmo fui fazer um curso para ser padrinho de minha sobrinha, filha de meu irmão. A primeira coisa que eu soube foi que só podia fazer o curso quem era batizado. Aí eu cheguei no local onde se realizavam os cursos e perguntei: o que é que eu preciso pra fazer esse curso? A senhora que estava na porta me disse “só precisa da identidade”. Porra, massa, eu pensei. Ela não falou nada sobre ser batizado, não sou eu quem vai perguntar né? Se ela perguntasse eu não ia conseguir mentir. (Imagine, mentir pra Deus, acho que eu ia direto pro inferno no outro dia. Se bem que os camaradas que tão ali nem são materialização de Deus né? E além do que seria uma mentirinha leve, dizem que Deus perdoa cada coisa... Ops, Terra chamando, restabelecendo contato...) Beleza, vamo nessa. E quando é que eu posso fazer o curso? Vai começar agora, é só você entregar o seu documento ali. Putz, eu sou muito cagado de sorte... Acho que Deus tá do meu lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O “curso” pra ser padrinho na verdade é uma palestra. A gente passa três horas ouvindo o pessoal falar sobre a fé, sobre a igreja, sobre a importância do batismo e coisas do gênero. Na real foi de boa, achei até que o camarada que comandou o evento falou umas coisas legais. Só teve uma coisa que eu fiquei refletindo depois: por que eles precisam colocar em oposição a fé e a gandaia? Em vários momentos ele colocou que as pessoas da fé não eram da gandaia, da farra, da festa e blá blá blá... Não consigo ver relação entre os fatos. A pessoa não pode ser (odeio essa expressão que vou usar agora) “temente a Deus” e querer se divertir não? Quem é cristão tem que ficar em casa, sem sair, tem que só se divertir em festas de paróquia e só conhecer mulheres ou homens que freqüentem a igreja, porque eles é que são legais? Rapaz, com toda minha ignorância em relação ao bróder Jesus Cristo, não acho que ele tenha estimulado essa pegada aí não... Não dá pra ir pra festa, se divertir, não fazer mal a ninguém e continuar respeitando as idéias cristãs não? Eu acho que talvez dê... Por isso que o canal, na minha opinião, quem dá mesmo é o mestre Gil, tem que misturar, tem que ter &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=GsKVBrBD8v4&amp;ob=av2e"&gt;Fé na Festa&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Fé, amor, coração...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Fé, né (porra, ficou massa essa construção, duas palavras, duas sílabas cada, duas letras cada, dois “e”, dois acentos agudos...)?  E de onde é que vem a fé? Vem do coração. Do coração? Mas que porra é essa, essa zorra desse músculo só faz mandar sangue pra o corpo! Porque diacho ele é que tá sempre relacionado ao amor, aos sentimentos? Todo mundo sabe que quem manda no corpo mesmo é o cérebro. É... Mas, e aí, de onde é que vem essa ligação do coração com o amor, com o sentimento?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(nessa hora entra em cena o El Borrets Laboratório Científico de Idéias Instintivas-Empíricas-Esdrúchulas): Quando a gente toma um susto, onde é que a gente sente o engasgo? Quando a gente passa uma agonia, onde é que vem o baque? Quando um amor se vai, onde é que fica a dor? Quem já viveu uma paixão (&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=aNrf7GqY-5Q"&gt;quem nunca curtiu uma paixão nunca vai ter nada não&lt;/a&gt;), acho que já percebeu essa localização geográfica-corpórea-sentimental. É tudo no peito, né? Num sei porquê, mas é na região do peito que essas ondas batem. Tem horas que eu acho até que é gases, mas me parece que pode ser o sentimento se manifestando mesmo... E aí a parada batendo no peito, quando chega o momento da autópsia, que o cara pega a abre o peito do falecido, olha quem tá lá! O coração! Rapaz, vai ver que é por isso mesmo então. Se ele tá lá, se as sensações geram, em geral,reflexos físicos na região do coração, é óbvio que é lá que moram os sentimentos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Tem horas que eu acho que eu me perdi na conversa. Na maioria das vezes é verdade. Mas tudo bem, começa assim depois piora.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=x7S-vp3rci8"&gt;Politics&lt;/a&gt;!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coração é o amor né? Ou melhor, o amor é o coração. Ou melhor, um está contido no outro né? Mas quem está contido em quem? Ah, não importa. O que importa é que no amor vale tudo né? É?&lt;br /&gt;- E você ia ali em Dilma?&lt;br /&gt;- Rapaz, o perigo era você querer ir e ela querer amar você ao contrário...&lt;br /&gt;Ouvi esse diálogo, se bem me lembro, num ônibus em São Paulo. Achei de uma absurdidade/realidade/humor imensos. No amor vale tudo, acho que alguém já disse isso. Mas a expressão “amar ao contrário” acho que merece uma menção honrosa. Porque, assim, a imagem que a nossa presidenta propaga é realmente a imagem de machão. Não machão no sentido “ah, ela é homossexual”. No amor, vale tudo, acho que acabei de dizer isso. Machão no sentido mais rústico, de quem controla com mão de ferro, sem dar espaço pra diálogo. Os servidores públicos de todas as categorias Brasil a fora tem sentido isso inclusive. Mas isso já é outro papo... O lance é que a mulher é braba mesmo. Política é uma onda, às vezes até parece que reflete a sociedade mesmo, aparece gente de todo tipo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Aparecer pro mundo = aparecer na televisão&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falando em aparecer, falando em “politics”, tem umas pessoas/coisas que aparecem e outras que nunca aparecem. Aí vem o camarada lá, o Amaury Ribeiro Jr e lança o livro A Privataria Tucana. Rapaz, um típico livro-bomba. Mas e aí, algo apareceu na televisão? Alguma notícia? Depois ainda vem gente dizer pra mim que o tratamento dado pelos veículos de comunicação em relação às falcatruas dos grupos políticos dominantes (PT e PSDB) é igual. É... Olha o &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?gl=BR&amp;v=V14fyWK9Cnc"&gt;link da entrevista &lt;/a&gt;do camarada aí, só pra entender um pouco do que é o livro e, o mais importante na minha opinião, os métodos utilizados na feitura do livro, totalmente baseado em documentos oficiais, públicos, de cartórios e órgãos oficiais pra comprovar o que está sendo dito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;A realidade do busão em Sampa: outra menção honrosa&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Tem uma série de coisas que fazem os baianos retirantes recém-chegados (assim como eu) se abismarem em relação ao transporte público em São Paulo. A questão do metrô, a conexão metrô-busu, o fantástico cartão “bilhete único”... Mas o meu foco preferencial, normalmente, são as pessoas. E nesse quesito, já que eu tinha falado da menção honrosa pra a expressão “amar ao contrário”, mudando de pau pra cacete, existe uma categoria de trabalhadores que merecem menção honrosa na cidade de são Paulo: os cobradores de ônibus (ou trocadores, como chamam em alguns lugares do Brasil). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imagino eu que com o advento do bilhete único – que, de tão vantajoso, é utilizado por aproximadamente 93% dos usuários de ônibus em SP, segundo dados obtidos empiricamente pelo autor deste texto –, os cobradores diminuíram seu trabalho de forma considerável. A catraca só libera quando o cartão autoriza, então o cobrador pode estar lá dormindo que o cara só passa se o bilhete liberar. E é o que acontece muitas vezes mesmo. Nunca vi tanto cobrador dormir quanto na Paulicéia. Acho que como diminuiu o trabalho, muitos devem ter arrumado outros empregos e devem viver hoje a escrota jornada dupla. Mas a menção honrosa deles vem por outra habilidade!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ô irmão, qual é o ponto mais perto do Fórum Trabalhista, ali na Marquês de São Vicente? Perdi as contas de quantas vezes fiz perguntas desse tipo. E sempre, mas sempre, recebi respostas bastante satisfatórias, sendo, na maioria das vezes, acompanhadas de complementos que deixavam ainda mais fácil a vida de um não paulistano semi-perdido na &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=7Kni_KvBhMI "&gt;floresta de concreto e aço&lt;/a&gt;. Algo tipo: você sai ali, pega a esquerda, passa do posto e vê logo o prédio. Só que tem um outro detalhe: numa cidade como São Paulo não tem somente um ou dois pedindo orientação sobre caminhos e lugares. E os cobradores vão lá e dão conta de muitas orientações ao mesmo tempo. Já presenciei algumas vezes até cobradores falando alto no ônibus: rua de não sei o quê, quem é que tá querendo ir pra lá mesmo? O ponto é esse, desse aqui, pega a direita, passa o cruzamento, tá lá. “Mas cobrador, e a rua não-sei-quenzinho já passou?” Calma que eu não esqueci de você não mano, é daqui a dois pontos... Putaquepariu, fiquei de cara. Quando vi cenas dessas se repetindo pensei logo: o cara faz valer cara real que ganha de salário só por essas orientações que ele dá. Talvez seja hora de repensar o nome da categoria, porque “cobrador” só não tá dando mais a noção do trabalho desses caras não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=xr2ohgR7Lfw"&gt;&lt;span style="font-http://www.blogger.com/img/blank.gifweight:bold;"&gt;Aeroporto&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois então, por falar em menção honrosa, em aeroportos e viagens, esses dias tava chegando no aeroporto de Congonhas, São Paulo, quando aconteceu uma situação que eu esperava desde o ano passado quando fui morar em São Paulo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu olho passava perdido enquanto eu caminhava pelo simpático desembarque de Congonhas, quando algo me chamou a atenção... Porra aquela cruz no braço do cara parece a tatuagem de Mano Brown... É né? Que viagem, a tatuagem parece mesmo... Êpa, pera lá! É o Mano Brown! Putz, não acredito. Caracas, Mano Brown, cara... Porra, e ele tá lá sozinho, nenhum mano dele junto, nada de família. Putz, é a hora ideal pra tentar trocar uma ideia com ele, ele tá sozinho, não vou invadir demais a semana dele... Ixi, pronto, pra completar ele sentou. Volto pra falar com ele ou não? Rapaz... Vou lá, essa porra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Okay, decidi, vou lá. Mas bem nessa hora me veio à mente uma situação que Fernanda de Oliveira Ferreira me contou , uns anos atrás, do dia em que, após um show da falecida-recém-ressucitada banda Los Hermanos, ela chegou ao boteco do França, um barzinho do boêmio bairro soteropolitano do Rio Vermelho, e quem estava lá? Rodrigo Amarante, um dos cantores do grupo. E Nanda me falou uma coisa interessante sobre esse encontro. Ela disse mais ou menos o seguinte: nada do que eu falasse ali iria dar uma ideia pra ele da importância que a música dele tinha em minha vida. Que onda isso né? Lembrei muito dessa reflexão. Ela disse que se fosse falar com ele, iria acabar parecendo que era só mas uma fã querendo se aproximar de uma pessoa famosa.  E foi o mais ou menos o que senti. Nada do que eu dissesse iria dar ideia a Mano Brown do quanto o som dele fazia sentido pra mim. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, pois foi pensando nessa onda toda que eu fui falar com o cara. Cheguei lá e disse que curtia muito o som dele e perguntei do disco novo do grupo, dos Racionais. Ele agradeceu, disse (informação em primeira mão e direto da fonte!) que esse ano sai o disco. Imagino que esse ano pra ele já era 2012 né? Terminei a mini-conversa desejando tudo de bom pra ele e dando um bom aperto de mão. É, tava de bom tamanho já.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Adeus, Adeus, Boa Viagem...&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo natal-ano-novo é aquela de pensar no que aconteceu durante o ano. E esse ano que se vai acaba ficando como um marco em algumas coisas. Resumidamente, no campo individual foi o ano que fui morar em Sampa sem perspectiva imediata de volta. No campo coletivo foi o ano em que o maior mestre de capoeira do mundo se despediu desta dimensão. Por coincidência, eu treinava em sua escola. Ficou um buraco grande, intapável (se não existe essa palavra ela precisa ser inventada agora). Ficam as reflexões. Ficam ensinamentos de cada momento que aproveitei ao lado dele. Mas essa hora, fica mais uma vez a noção de que o que resta no mundo quando a gente parte é somente a energia, na forma que a gente canalizou. E o Mestre Doutor Comendador João Pereira dos Santos, comumente conhecido como Mestre João Pequeno de Pastinha, sem dúvida, deixou uma energia positiva e uma trajetória de proceder exemplar. Como diz a música, &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=W9Lg8wGZUJU"&gt;adeus, adeus, boa viagem&lt;/a&gt;... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/--lzg8lT7f2A/TvigNG5JveI/AAAAAAAAAJE/p4soXmAyrgs/s1600/Sao%2Bjoao%2BMJPP%2B2011%2B%25284%2529.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" src="http://4.bp.blogspot.com/--lzg8lT7f2A/TvigNG5JveI/AAAAAAAAAJE/p4soXmAyrgs/s200/Sao%2Bjoao%2BMJPP%2B2011%2B%25284%2529.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5690474276231691746" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Fazenda Coutos, São João 2011. Dr. João, eu e Kika. Foto tirada pelo camarada Luis Ahringsmann. &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas pra terminar o ano “mais pra frente” aqui no blog e relembrar que essa postagem era pra ter sido feita ontem, o clássico dos Garotos Podres, &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=RvOj41CG1uo&amp;ob=av3n"&gt;Papai Noel Velho Batuta! &lt;/a&gt;Ho! Ho! Ho! Feliz Natal! E até ano que vem!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;...&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;P.S.1: vou tentar a partir de agora utilizar o sistema de links, ao menos pra as músicas que eu cito e que, às vezes, fica meio piada interna, que só eu entendo. Mas não existe necessariamente conexão com letra não, às vezes é uma palavra da letra que, quando eu escrevo, eu ouço com a entonação que tem naquela música, sacou? Tipo o link de Both Sides of the Gun, quando eu falei no subtítulo “Politics”, era pra soar tipo o “politics” de Ben Harper naquela música.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.S.2: quem ainda quiser se interar do estranho funcionamento da mente deste que vos fala, aproveita pra ler o que ainda tá aí no blog porque no próximo post, ano que vem, vai rolar a velha limpa nos textos antigos. Êa! Ano novo, vida nova. &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4314285796283699384-6455226952733570322?l=caramujonews.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caramujonews.blogspot.com/feeds/6455226952733570322/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4314285796283699384&amp;postID=6455226952733570322&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4314285796283699384/posts/default/6455226952733570322'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4314285796283699384/posts/default/6455226952733570322'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caramujonews.blogspot.com/2011/12/hoje-e-natal.html' title='Hoje é natal!'/><author><name>Eduardo Galindo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01888080448230785768</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_97TceR_3n1E/SbWhfMu8BSI/AAAAAAAAADE/Z86Ll9EGEzs/S220/borra.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/--lzg8lT7f2A/TvigNG5JveI/AAAAAAAAAJE/p4soXmAyrgs/s72-c/Sao%2Bjoao%2BMJPP%2B2011%2B%25284%2529.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4314285796283699384.post-2891185679689258627</id><published>2011-11-30T22:23:00.002-02:00</published><updated>2011-12-01T02:39:07.706-02:00</updated><title type='text'>Para onde eu vou...</title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt;mais um passeio entre memórias, pensamentos e coisas que nem sempre se conectam...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;Eventos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Salvador existe um local chamado Parque de Exposições. Pela pegada dele, acho que deve ter sido criado pra exposições agropecuárias. É um local grande pra caramba. Mas ele tem uma tradição de ser também o local de grandes shows musicais e grandes eventos em geral. E desde que eu me entendo por gente, ia pra eventos por lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;O pau da bandeira&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma lembrança engraçada era a do sistema de som anunciando “Não-sei-quenzinha, seu pai te espera no pau da bandeira”. Que porra de lugar mais escroto pra alguém esperar alguém! Mas a real é que, por ter o parque uma imensa bandeira do Brasil que ficava visível a uma boa distância, acabou que aquilo virou referência pra encontrar as pessoas naquele espaço tão grande. O que me impressiona hoje também é por que diabos não falavam “no mastro da bandeira”? Putaquepariu, pau da bandeira pega mal demais e cabe até a clássica expressão baiana de saída de situações desconfortáveis: lá ele!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois então, me parece que aquilo era também uma realidade de uma cidade ainda não tão grande quanto é hoje a cidade de Salvador. Hoje em dia me parece meio complicado alguém chegar num evento tipo um Festival de Verão da vida e querer mandar recado pra encontrar pai, mãe, mulher, tio ou sobrinho por ali. Acho que o pau da bandeira vai ficar guardado (lá ele!) no hall das memórias afetivas e românticas (lá ele de novo)da infância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me lembro (sim, sim, dr corretor do Word, eu sei que era pra ser “lembro-me”, mas prefiro assim mesmo) da Festa do Interior, que, ao que me parece, depois virou Arraiá da Capitá, e de shows e acontecimentos épicos que rolaram por lá pelo Parque de Exposições. Lembro de ter feito tatuagem de rena, ter fumado cigarro e depois vomitado com minha mãe presente, ter dormido na grama... Mas musicalmente teve um dia específico que marcou muito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Os Paralamas do Sucesso foram tocar na capital.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;A esta altura de minha vida, vi alguns shows muito clássicos que estão guardados com muito carinho na minha memória. O primeiro show do Raimundos que vi em Salvador, o show dos Stones em Copacabana, o primeiro show da Nação Zumbi sem Chico, o mini-show de Lenny Kravitz no Rio, Sepultura na concha acústica do TCA, o SWU com Dave Matthews, Kings of Leon, Joss Stone e principalmente Rage Against The Machine... Pensando muito sobre qual teria sido o show mais importante, cheguei  a uma importante conclusão: coisas desse tipo não se comparam. Cada um, cada um, cada momento sua importância. E dentre esses tantos, teve um dos Paralamas, na pré-história de minha vida, que eu não lembro o ano, só sei que eu era estudante ginasial ainda, mas que foi muito ducaralho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu acho que o evento era o Arraiá da Capitá. Mas a ideia de ser um festejo junino, àquela época, já tinha se corrompido frente à lógica do mainstream-carnavalesco-baiano de fazer tudo quanto era festa em um mix de atrações do mundo do axé e expoentes pop nacionais. Tá, de quebra deve ter tido algum pseudo-forró. Mas, nesse contexto, teve um ano em que, em meio a atrações de tudo quanto é tipo, Herbert, Bi, e Barone fizeram um show mágico. O irmão de Hermano Viana ainda caminhava com suas próprias pernas nesse tempo e lançou no repertório, além dos clássicos dos Paralamas, coisas como Manguetown, de Chico Science e Nação Zumbi, Mantenha o Respeito, do Planet Hemp e, emendada com a música Luiz Inácio Falou, na hora do pam pam pam, pam pam pam, solta o camarada um Riders on the Storm, do The Doors. Caracas bróder, ali os caras brocaram muito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Música, emoção, energia...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assistindo o Rock in Rio pela tevê esses dias vi o show do Coldplay. Os caras tocando e milhares de pessoas cantando junto. Caralho, muito boa essa sensação. E aí lembrei de um outro show que nunca vou esquecer:  A Grande Abóbora no Calypso, despedida de Nanda Abóbora que ia pra Zoropa e fim oficial da banda. A Grande Abóbora era a banda na qual eu tocava com uns amigos de faculdade. E o Calypso era um barzinho alternativo de Salvador. Okay, entre os milhares de espectadores do Coldplay e a casa lotada do Calypso com, no máximo, entulhando de gente, quase 200 pessoas, há uma diferença numérica significativa. Mas quando a gente tava tocando a música “O que eu quero”, de autoria do grande gênio da música alternativa baiana, Eduardo Queiroz de Sá, que percebi que a maioria absoluta das pessoas presentes estava cantando o refrão junto com a banda, fiquei de cara. A energia daquele momento foi foda. Naquele exato momento, a quantidade deixa de fazer sentido e a sensação, acredito, deve ter sido parecida com a que Cris Martin e sua banda tiveram.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;Música, futebol... Caralho, eu também não consegui fugir disso...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tava pensando sobre o futebol esses dias. Eu passei muito tempo amando e depois um bom tempo odiando o futebol. Mas quando falo o futebol, é o futebol oficial, institucionalizado. O baba, ou seja, o futebol amador praticado por diversão, sempre joguei e sempre gostei. E pensando um pouco sobre o futebol (latu sensu, ou seja o futebol no geral, a porra toda), viajei em uma coisa positiva dele... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algum tempo atrás por aqui mesmo pelo blog falei sobre como o futebol ajuda as crianças a aprenderem a trabalhar em equipe, aprenderem a lidar com a vitória e com a derrota, etc. Mas eu andava bem desagradado já com a atenção excessiva e o clima de provocação da galera daquela rede social, o facebook, quando o assunto era o futebol institucionalizado. Pra quem é do estado da Bahia tem a onda do ba-vi eterno: se o Vitória ganha um jogo, e o Bahia perde, aí começa; se o Bahia ganha e o Vitória perde, começa de novo. Tem até uma galera que se satisfaz mais com a derrota do adversário do que com a vitória do seu time (o que pra mim parece um absurdo dos mais sem tamanho, mas tudo bem, outra hora falo disso). É um tal de provocação, piadinha, alguns perdem até os limites e partem pra agressões mais pesadas, daquela pegada de quem esquece que o futebol é só uma alegoria, é só uma diversão. Mas no meio dessa merda toda viajei numa onda interessante, que eu nunca tinha pensado: a coisa do “cada jogo, um desafio”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa onda de, a cada jogo, fazer-se uma resenha, ter um resultado, mesmo que parcial, acho que dá uma sensação de mini objetivos que tornam mais objetivo (okay, é isso mesmo) o caminhar em qualquer situação da vida. É óbvio que o horizonte tem que existir, que os grandes planos têm que existir, que as aparentes utopias têm que existir. Mas os mini objetivos são meio que pequenos portos-seguros pra seguir a viagem da vida. Lá no trabalho, por exemplo, quando cheguei, que vi aquelas montanhas de processos, conversando com o chefe, ele disse uma coisa interessante, mais ou menos assim: se a gente não colocar objetivos pequenos aqui, objetivos diários, fica muito difícil ver resultados e, consequentemente fica muito difícil não ficar desanimado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Mas e Quico?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, mas e que porra que o futebol tem a ver com o que eu tava falando? Então, é que eu tava falando da energia do público cantando uma música junto com uma banda. Pois então, porque será que no futebol o time que joga em casa tem alguma vantagem? Me parece que é a conexão daquela galera. Se a torcida entra na mesma vibração do time, quando acontece essa conexão, a tendência é fortalecer mesmo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Mas voltando à música...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas imagens do show do Coldplay me lembraram um outro show, um que rolou em Salvador, dia desses, daquela banda gringa, Placebo. Na época eu ainda morava lá e pra completar, entre as bandas que iam abrir o show estava a Los Canos, banda formada por uns grandes amigos dos meus tempos de faculdade. Porra, massa, vou colar. E aconteceu lá uma cena que hoje seria totalmente absurda. Acontecia o show normalmente quando, sem mais nem menos, o vocalista do Placebo se jogou no meio da platéia. E eu olhando e pensando: porra, o cara aí é rock né? Deu o famoso mosh. Mas em pouco tempo deu pra entender o que tinha acontecido: o cara pulou no meio da platéia pra pegar a câmera de um carinha que tava gravando o show...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Todos os olhos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Hoje em dia, quando aparece uma imagem de qualquer show grande, como o do Coldplay do Rock in Rio, o que se vê é uma imensidão de câmeras, celulares e semelhantes gravando o show. Me parece que as bandas desistiram de reprimir isso. Infelizmente não creio que perceberam que isso é legal e que pode ser bom pra eles também, acho que foi por chegarem à conclusão de mera impossibilidade física de deter o exercito de “registradores”. E tem uma coisa sobre isso também que acho bem válida: é legal a onda de cada um registrar seu ponto de vista. Afinal são vários olhos. Acho que isso caminha em direção à coisa da famosa “democracia na comunicação”. Porque é muito fácil pegar e falar que vai democratizar a comunicação porque “agora a luz chega em todo lugar, todo mundo pode assistir tevê”. Democracia do caralho essa, né?! Você pode assistir à novela da Globo, tá de boa, tá democratizado... Rapaz, me bata uma garapa né? Democratizar mesmo a comunicação envolve o direito de produzir o conteúdo da comunicação, não só o de consumir o que foi produzido por outrem. E aí entra a viagem de cada um fazer sua filmagem e cada um apresentar o seu ponto de vista sobre determinado evento. Acho que faz parte do processo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Todos os olhos, e não um só&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Okay, Okay, essa realidade legal de mil produtores de informação dá margem a distorções até, é verdade. Se a gente não buscar mais de uma fonte, pode acabar achando que uma visão específica é a visão geral. Sim, sim. Que o diga o caso do vídeo no youtube que dizia “pouca gente viu mas Claudia Leitte foi vaiada no rock in rio”. Aí você abre o vídeo e tem um cara filmando ele e seu grupinho de 10 ou 12 pessoas xingando a cantora. Mas quando você vê outras filmagens, o que aparece é o público, em sua maioria absoluta, pra usar uma expressão bem carnavalesca baiana, pulando que nem pipoca. Na real no próprio vídeo que o cara tá xingando a cantora dá pra ver em volta o público pulando e se divertindo. Mas enfim, creio que esse perigo seja até maior quando não existe tanta diversidade de fontes, como é nessa realidade brasileira de monopólio/oligopólio/cartel da comunicação. Isso tá começando a mudar um pouco, em minha otimista opinião, mas sei que ainda estamos muuuuuuito longe de uma situação aceitável (aceitável, não to nem dizendo ideal).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;De trás pra frente&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje uma das bandeiras principais de movimentos sociais é (ou na minha opinião deveria ser) a do chamado “direito de antena”, o direito de ter sua voz, de produzir a informação à sua maneira. E pensando nisso viajei na onda do livro História e Natureza das Ligas Camponesas, do camarada Stédile, quando surge uma observação interessante: a origem das ligas camponesas, ajuntamentos e todos os demais coletivos de agricultores, precursoras dos atuais movimentos relacionados à posse de terras, é, em geral, relacionada com o objetivo de ajudar os seus participantes a terem uma passagem para o outro lado da vida um bocadinho mais digno. Ou seja, o foco era bem de ter recursos pra proporcionar um enterro decente pra os desencarnados. Em que pese a importância que esse momento pode ter pra cada pessoa, convenhamos que hoje parece uma questão pequena em relação à quantidade de problemas enfrentados pelas populações do campo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aí outro livrinho (presente que recebi de meu querido irmão Ernesto Pereira Galindo) chamado Cidades Negras, faz referências também a situações semelhantes em relação à origem dos ajuntamentos religiosos afro-descendentes. Os autores colocam que seria objetivo primordial das irmandades religiosas dos afrobrasileiros e africanos no Brasil dar dignidade ao último momento do cabra deste lado da vida, como forma,, inclusive de garantir boa situação no outro plano. E o livro fala ainda da tradição de enterrar mortos dentro das igrejas e de sua proibição pelas autoridades sanitárias da cidade de Salvador, 1836, o que acabou por gerar o movimento chamado “cemiterada”. É mais uma vez o momento da morte ganhando importância para comunidades e organizações sociais que depois viriam a questionar outras coisas, a desenvolver outras demandas... É quase como se os questionamentos viessem de trás pra frente né? Vamo falar do fim da vida primeiro pra depois questionar a vida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;E eu quero o quê da vida com esse papo todo?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei, é fato. Ando cada dia mais sem saber a intenção ou o sentido do que aparece aqui. Escrevendo emboladamente e emboloradamente. E se os caras que começam querendo direito de morrer decentemente, quando você vai olhar já querem ter voz, eu que comecei esse blog querendo ter voz, onde é que vou parar agora? Só Jah sabe.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4314285796283699384-2891185679689258627?l=caramujonews.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caramujonews.blogspot.com/feeds/2891185679689258627/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4314285796283699384&amp;postID=2891185679689258627&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4314285796283699384/posts/default/2891185679689258627'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4314285796283699384/posts/default/2891185679689258627'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caramujonews.blogspot.com/2011/11/para-onde-eu-vou.html' title='Para onde eu vou...'/><author><name>Eduardo Galindo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01888080448230785768</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_97TceR_3n1E/SbWhfMu8BSI/AAAAAAAAADE/Z86Ll9EGEzs/S220/borra.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4314285796283699384.post-5041778883579448340</id><published>2011-11-01T03:04:00.007-02:00</published><updated>2011-11-01T03:40:09.003-02:00</updated><title type='text'>Amores</title><content type='html'>&lt;em&gt;Postagem um pouco atrasada, vou colocar a culpa no horário de verão...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Paralelas&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando morei na simpática cidade de Ipiaú (sem rima), fiz a viagem Ipiaú-Salvador ida e volta de carro mais de dez vezes. Acho que metade das vezes sozinho. Era engraçado, eu andava com um case onde cabiam acho que 48 cds, quase todo preenchido, todos com cds de mp3. Fazendo um cálculo grosseiro, cada cd dava pra uns 10 discos. Ou seja, uns 480 discos. Cada disco com umas dez faixas de música, vamos pra 4800 músicas. Acho até que eu variava razoavelmente bem os discos, mas é inevitável algumas músicas se tornarem meio que “trilha sonora clássica das viagens”. Uma delas, dos momentos de viagem na empolgação eu acho, foi Get Up Stand Up, a abertura do disco Burnin’ de Marley e Wailers, com aquele teclado groovado classe A. Mas em outros momentos não tão empolgados teve outra que marcou, uma do mestre Antonio Carlos Belchior. Segunda música do disco Coração Selvagem, de 1977, se não me engano (o disco original que tenho não está em mãos nesse momento pra poder conferir), segue a letra aí:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paralelas&lt;br /&gt;(Belchior)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Dentro do carro&lt;br /&gt;Sobre o trevo&lt;br /&gt;A cem por hora, ó meu amor&lt;br /&gt;Só tens agora os carinhos do motor&lt;br /&gt;E no escritório em que eu trabalho&lt;br /&gt;e fico rico, quanto mais eu multiplico&lt;br /&gt;Diminui o meu amor&lt;br /&gt;Em cada luz de mercúrio&lt;br /&gt;vejo a luz do teu olhar&lt;br /&gt;Passas praças, viadutos&lt;br /&gt;Nem te lembras de voltar, de voltar, de voltar&lt;br /&gt;No Corcovado, quem abre os braços sou eu&lt;br /&gt;Copacabana, esta semana, o mar sou eu&lt;br /&gt;Como é perversa a juventude do meu coração&lt;br /&gt;Que só entende o que é cruel, o que é paixão&lt;br /&gt;E as paralelas dos pneus n'água das ruas&lt;br /&gt;São duas estradas nuas&lt;br /&gt;Em que foges do que é teu&lt;br /&gt;No apartamento, oitavo andar&lt;br /&gt;Abro a vidraça e grito, grito quando o carro passa&lt;br /&gt;Teu infinito sou eu, sou eu, sou eu, sou eu&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rapaz, quando chegava na parte do “no corcovado quem abre os braços sou eu”, já estava eu cantando alto parecendo que eu tava num show. E essa música, por sinal, foi mais uma “redescoberta” de minha vida proporcionada pelo camarada (e ídolo nas horas vagas) Ronei Jorge Martins e sua trupe. Lá um belo dia, num showzinho à toa do grupo Ronei Jorge e os Ladrões de Bicicleta, acho que foi um num pequeno shopping no bairro do Rio Vermelho, ouvi uma música e pensei: eu conheço isso de algum lugar... Aí perguntei pra o camarada Ramon Prates, que me disse: você não tava ligado que eles tavam tocando essa de Belchior não? Ah rapaz, é Belchior, é vero...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O amor nos tempos do cólera.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu realmente não me lembro agora, mas algum amigo ou amiga que tem formação em psicologia me disse certa feita que a maioria das pessoas que chamamos comumente de loucos de rua são pessoas que fizeram essa “desconexão” com a realidade por questão amorosas. A informação me impressionou mas não me surpreendeu tanto assim. Parece muito do reflexo da pressão que existe na sociedade para que a gente se enquadre no formatinho clássico de família. Casar, ter filhos e ser feliz para sempre. O que é a grande lenda do mundo né? Ah, antes a galera casava e ficava 100 anos casada, ficava realmente até a morte os separar. Certo, certo. Mas isso aí, na minha humilde opinião se dava mais pela dificuldade de se separar há tempos atrás. Principalmente pra as mulheres né? Ser uma desquitada antigamente não era certamente uma coisa lá muito bem vista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a coisa que me fez mais refletir é a questão de dentro. Porque a de fora, a da sociedade, só se resolve quando cada um resolve a sua questão interior. E a questão que fica pra mim é aquele de “pra que colocar o peso de sua felicidade no colo do outro?”. Porque é isso que me parece quando a gente viaja que um relacionamento amoroso pode ter a capacidade de transtornar a cabeça de uma pessoa a ponto dela preferir (consciente ou inconscientemente) se desconectar da realidade. Ok, tudo bem que essa realidade é uma coisa bem relativa e que o nosso “pluriverso” (porque não é uni) é feito pela interação de uma complexidade infinita interna do ser interagindo com uma complexidade infinita do meio, como bem dizia o professor Antonio Saja, grande figura baiana. Por sinal, toda vez que eu lembro dele, eu lembro das suas aulas de Estética que assisti na Universidade Federal da Bahia, onde ele repetia, quase que como um mantra, uma coisa muito legal e que cabe no momento (aliás, caberia mais no parágrafo passado até): o que é que eu estou deixando que façam com minha única vida? Assim, essa coisa de única vida também tem controvérsias mas acho válida a reflexão com fins de mandar ao cacete sofrimentos por causa de opiniões dos outros. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato é que o primeiro amor, e que deve nos suprir completamente, pra mim, é o que sentimos por nós mesmos. Quem vier a mais deve aumentar isso mas nunca se tornar algo sem o qual não consigamos manter a felicidade em níveis saudáveis. Nunca li nenhum livro de auto-ajuda mas isso deve ser tema recorrente, imagino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Amor às coisas.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que é mesmo que move a gente, minha gente? Acredito ser sempre o amor. Mas o amor pode ser direcionado a uma pá de coisas. Amor à família, amor à vida, amor a terceiros, amor à natureza, amor à arte... até ao dinheiro tem uma galera doida que direcionada seu sentimento! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Amor à causa que julga justa.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro dia foi deflagrada greve dos servidores da justiça federal. Então, eu sou um servidor da justiça federal. Nada mais natural que fazer greve né? Por alguns simples argumentos que, resumidamente colocaria assim: os servidores não gozam da chamada data-base, o que permitiria o reajuste anual a título de reposição de inflação, como acontece com qualquer outra categoria de trabalhadores; as pessoas que estão ali trabalhando, como qualquer pessoa no mundo, adaptam suas vidas ao seu nível salarial (ainda não é o meu caso individual) e merecem ao menos a reposição de inflação, visto que estão já há 5 anos sem nenhum tipo de reposição salarial num período que já acumula aproximadamente 34% de inflação; em regra, a categoria à qual eu pertenço entrando em greve, me sinto eu obrigado a ir pra luta; e, se tem uma coisa que não me agrada é a ideia de receber algo que não seja fruto de meu esforço, ou pior ainda, que seja fruto do esforço dos outros enquanto eu fiquei da janela assistindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pronto, esse é um exemplo de causa justa pra mim. Tem situações em que a noção de justeza se dilui, é verdade. Mas o que a gente não pode é deixar de agir com amor, buscar o caminho que a gente acha que vale a pena buscar. Por amor, afinal é isso que move os revolucionários, segundo nosso amigo Ernesto Guevara de La Serna. E pra buscar o caminho, qualquer que seja, acho que tem que meter a mão na massa mesmo, se jogar. Tinha até um camaradinho que vivia ali pela China, um tal Mao Tsé-Tung, que dizia que todos os conhecimentos verdadeiros provem de experiência direta. Acho isso forte e bem válido. Acho até que essa ideia me ajuda a ir todos os dias para o meu local de trabalho somente pra participar da greve, quando podia estar em casa dormindo ou até poderia ir para minha cidade natal passar uns dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Amor ao conhecimento.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas só pra não dizer que eu não sou uma contradição como qualquer outro ser humano, eu acho outras coisas também. Pra encontrar a justeza das causas que merecem amor, cabe também outras posturas. Acho válido então, da mesma forma o que dizia a hoje famosa cantora Pitty, num período paleozóico de sua carreira, no primeiro disco oficial da banda Inkoma:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Quem foi que disse que pra você ser consciente&lt;br /&gt;é necessário vir da lama e só sofrer&lt;br /&gt;a consciência também provem da cultura&lt;br /&gt;E a diversão é essencial para viver&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou seja, tudo é válido pra se informar. Vale se informar pelo mundo real mas vale também pelo que os outros dizem. Mas, sinceramente, em minha humilde opinião, é preciso um certo cuidado nessa hora. Qualquer pessoa que toma como referência informações concedidas por uma série de veículos de comunicação, por maior que seja o número deles, mas que fazem parte todos eles de uma mesma esfera de pensamento, não tá buscando uma visão legal. Por exemplo, ler Estado de São Paulo, Folha de São Paulo, Revista Veja, Revista Época, e outros variados semelhantes, não revela diversidade de fontes. Poxa, será que não cabe aí procurar pelo menos um pouquinho uma Caros Amigos da vida, uma Carta Capital, um Brasil de Fato, pá... Acho que cabe. Na cidade de São Paulo é muito louco o bagulho. Tem uma galera muito grande que realmente só toma como referência o que diz a revista Veja. Dá medo. Sei que ninguém é perfeitinho no mundo da comunicação, nem de um lado nem de outro, mas ouvir outras versões é meio que fundamental né? Porque se é só pra reforçar o que já se pensa, talvez nem seja tão importante ler coisas novas. E assim, corre-se o risco de gastar o amor com causas que talvez não sejam as que mais se adequam a você mesmo, né?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Felicidade é uma casinha na colina.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando rola um final de relacionamento, meu amigo Daniel Abreu diria: é sempre um acordo, um entra com o pé, outro com a bunda. Em que pese o riso que essa assertiva me traz, tem uma onda também que ela me faz pensar. É a coisa de o que é mais fácil: ser o pé ou ser a bunda. À primeira vista pode parecer muito fácil e óbvio, mas talvez não seja tão óbvio assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É uma situação interessante pensar que “o que falta para ser feliz é tal coisa”, quando não se tem a coisa. É fácil de pensar assim e fácil colocar a culpa de toda a tristeza “na casinha da colina”, tão difícil de alcançar. Mas quando a casinha tá ali, a colina já foi escalada, localizar os motivos do descontentamento são um pouco mais difíceis. Tipo assim: se eu estivesse com ela, estaria tudo lindo, minha vida estaria uma maravilha. Mas e o outro lado? Será que é fácil pra ela localizar o porquê daquela insatisfação, administrar isso e, se for o caso, dar um basta àquele relacionamento, mesmo sabendo que existem coisas boas que também irão para o ralo? Eu não tenho opinião muito formada a respeito não... Parece aquela onda da época da ditadura brasileira né? Quando ela existia, todo mundo sabia pelo menos contra o que lutar; uma vez esse objetivo alcançado, definir os novos objetivos exige mais reflexão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Vem fácil, vai fácil, já diziam os Racionais.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem uma galera que é assim: mal conheceu a pessoa, já está amando loucamente. É meio doido pra mim isso, mas tem um bocado de gente que é dessa pegada. E às vezes eu tenho a impressão de que essas mesmas pessoas são as que esquecem fácil. Não sei se porque, quando eu vou ver, elas já passaram a amar outra pessoa rapidamente e loucamente após o fim do relacionamento anterior ou se é porque na verdade aquele amor era mais fruto de uma “vontade de amar” do que de um amor de verdade. Sei que é feio falar assim, falar que o amor de alguém não é amor de verdade, quem sou eu pra querer dizer o que é o amor de verdade?! Mas pra mim soa muito estranho. Num sei se pra mim o amor tem outro significado, sei lá. Não sei também se eu faço parte da maioria ou da minoria da sociedade nesse quesito. Mas talvez eu viaje numa onda mais firme, do amor como algo mais constante, menos influenciado por altas e baixas da bolsa de valores sentimentais, mesmo que isso para outras pessoas pareça revelar uma fraqueza do sentimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E Pelé disse: love, love, love...&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que o amor sempre vence. Se em algum momento eu disse: “te amo” pra alguém, pode ter certeza que foi de coração. Eu não tenho mais idade pra ficar nessa conversinha de falar por falar não. E, ao menos pensando agora aqui, não tem nenhuma pessoa pra quem eu disse isso e que agora eu ache que não deveria ter dito ou que eu me arrependa de ter dito. Portanto, mano brown, portanto mana sister, se eu lhe direcionei essa tão manjada expressão, em qualquer momento que tenha sido, leve fé, é de verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;...&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pra terminar, musiquinha do mestre dos mestres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amarra o teu arado a uma estrela&lt;br /&gt;(Gilberto Gil)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Se os frutos produzidos pela terra&lt;br /&gt;Ainda não são&lt;br /&gt;Tão doces e polpudos quanto as peras&lt;br /&gt;Da tua ilusão&lt;br /&gt;Amarra o teu arado a uma estrela&lt;br /&gt;E os tempos darão&lt;br /&gt;Safras e safras de sonhos&lt;br /&gt;Quilos e quilos de amor&lt;br /&gt;Noutros planetas risonhos&lt;br /&gt;Outras espécies de dor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se os campos cultivados neste mundo&lt;br /&gt;São duros demais&lt;br /&gt;E os solos assolados pela guerra&lt;br /&gt;Não produzem a paz&lt;br /&gt;Amarra o teu arado a uma estrela&lt;br /&gt;E aí tu serás&lt;br /&gt;O lavrador louco dos astros&lt;br /&gt;O camponês solto nos céu&lt;br /&gt;E quanto mais longe da terra&lt;br /&gt;Tanto mais longe de Deus&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4314285796283699384-5041778883579448340?l=caramujonews.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caramujonews.blogspot.com/feeds/5041778883579448340/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4314285796283699384&amp;postID=5041778883579448340&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4314285796283699384/posts/default/5041778883579448340'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4314285796283699384/posts/default/5041778883579448340'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caramujonews.blogspot.com/2011/11/amores.html' title='Amores'/><author><name>Eduardo Galindo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01888080448230785768</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_97TceR_3n1E/SbWhfMu8BSI/AAAAAAAAADE/Z86Ll9EGEzs/S220/borra.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4314285796283699384.post-5756716353018593044</id><published>2011-09-30T09:19:00.012-03:00</published><updated>2011-10-06T01:32:14.292-03:00</updated><title type='text'>São Paulo, setembro de 2011</title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Na cidade grande é assim, o que você espera é tempo bom e o que vem é só tempo ruim...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Se vira pivete&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imagino que eu devia ter uns 5 anos ou algo do gênero quando comecei a tomar banho sozinho. Era uma onda porque eu não estava muito acostumado com isso então o que acontecia era exatamente o que acontece quando você tem uma tarefa pra fazer regularmente e não tem ainda a necessária intimidade com ela: cada dia eu esquecia de uma parte da tarefa. Mas também foi um tempo legal em que cada banho eu descobria uma parte nova que eu não tinha lavado no dia anterior. Infância é massa, os dias são sempre cheios de novidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era assim: um dia eu percebia: (estranha pontuação né? Dois pontos, depois dois pontos de novo. Mas é assim mermo, que acho que fica fiel à intenção. Sim, voltando...) caramba, o braço! Poxa, eu tava só usando ele como ferramenta esquecia de lavar ele! E outro dia eu percebia: rapaz, a parte de trás da perna! Tenho que lembrar que a perna não é só onde eu tô vendo aqui pra frente não... E por aí foi. Lembro com uma nitidez incrível dessas pequenas descobertas da infância. Aprendendo pequenas coisas a cada dia. E engraçado que tem horas que me sinto assim no trabalho, hoje em dia até. Tipo assim: é massa ter uma compreensão maior da seara jurídica, ponto. Tô curtindo pra caramba. Mas as coisas bestas também são massa, geram alegria pra mim. Porra saber o procedimento correto pra poder mandar um processo pro arquivo! Saber onde no sistema eu registro as procurações que os advogados juntam... Tarefas mecânicas e simples. Mas que são massa. Que besteira isso né? Mas é assim mesmo, acho que assim me sinto meio criança, curtindo cada aprendizado. E acho que isso ajuda a manter a rotina instigante. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Ó querido diário!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tá foda, tenho sentido uma onda de querido diário da porra aqui no que tenho escrito no blog. Mas de repente, além de uma auto-terapia, tem uma onda também de dar notícias a pessoas que o espaço-tempo tá me fazendo não estar tão próximo. Quando vi que minha amiga do coração Renata Estrela Guimarães leu esse blog, sabendo que ela mora atualmente na Austrália, casada com um italiano, tem tempo que não vem no Brasil e que deve ter pelo menos uns 6 pra 7 anos que eu não a vejo de verdade, acho que ameniza minha sensação de inutilidade dessa tendência querido diário. Vai que alguém que tá longe lê né? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Retomando as atividades do dia: lavar os copos, contar os corpos...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, mas nem só de descobertas legais vive um vivente (adorei essa aliteração... ou a figura de linguagem que rolou aí nesse “vive um vivente”, seja ela qual for né?). Pequenas alegrias, pequenas descobertas e aprendizados são bala, mas Criolo, o rapper mais hype do momento (com méritos, diga-se de passagem), disse essa de lavar os copos e contar os corpos aí. E viajei nessa de outras descobertas diárias, além de graças a Criolo, graças a algo que rolou no busu (bumba, busão, coletivo, humilhante, ou qualquer outro nome que queira) dia desses. Tava indo pra o trabalho, passando pelo velho Minhocão (que pra quem mora em Salvador vale deixar claro que esse minhocão não é o Politeama), quando passa um motoqueiro naquela de agonia, buzinando pra caralho. E aí chega um camarada que tava sentado perto do motorista, um coroa de cabelos grisalhos que, pela roupa, parecia ser motorista de ônibus também. Na real o papo dele confirmou isso depois. Mas o depois foi logo, tipo imediato. Porque o camarada, sem fazer a menor cerimônia disse: esse motoqueiros... Eu tive sorte: matei dois... Cacete-de-agulha, bróder, como é que o cara fala aquilo assim, sem a menor vergonha? Putaquepariu... E lá foi o cara contando pra o outro motorista, o que estava ativo no momento, com detalhes absurdos do quilate da descrição do som da cabeça do motoqueiro estourando embaixo do pneu do ônibus. Putaquepariu. Gosto nem de lembrar dessa cena maluca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa hora até deu uma vontade de ir lá pra trocar uma ideia com o cara e perguntar algo tipo: velho, imagine se você perde seu emprego, com seus filhos dentro de casa e te oferecem um trabalho de motoboy, você ia querer que os motoristas de ônibus pensassem assim que nem você? Mas na real nem cheguei a cogitar fazer isso mesmo. E não foi nem por achar que mudar a cabeça daquele cara seria meio difícil. Foi uma onda mais de não ter preparo psicológico pra encarar um embate verbal com um cara daquele. Ou não ter estômago, talvez. Pois então uma figura desse tipo, me parece ser meio a onda que Criolo disse, pra ele pode parecer coisa bem natural lavar copos e contar corpos. E definitivamente eu não tô nessa pegada tratar com naturalidade esse tipo de situação, esse tipo de sentimento de desprezo pela vida alheia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Television&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem muito tempo que não me dou ao trabalho de assistir um telejornal. Qualquer que seja. Enchi o saco. O jornal só mostra bagaceira, só mostra tragédia e só mostra o que existe de ruim. E já cansei de falar também que depois que eu li o livrinho fininho e bem objetivo chamado Sobre a Televisão, de um francês muito sabido, terminei por enterrar minha relação com o jornalismo televisivo. Não que os outros jornalismos sejam uma maravilha, mas o televisivo é especialmente absurdo. Mas enfim, eu ia falar da televisão só pra dizer o quanto acho que essa postura escrota das emissoras fode ainda mais a cabeça das pessoas. Velho, o que essas merdas dessas televisões mostram é o que é exceção, o que é extraordinário, isso é basilar no funcionamento dessas porra. Mas o que isso gera são sentimentos de que “esse mundo tá perdido, só existe isso por aí mesmo, se eu sair de casa vou tomar um tiro na cabeça”, de que “ah, é isso mesmo a violência tá incrustada na sociedade e a gente tem que se acostumar”, e de que “cada um por si, foda-se o outro e eu querer que você morra é uma coisa normal”. Puta merda... Será que é por aí? Será que o broder do busu tava certo de achar normal o ódio que ele tinha de motoqueiros? E é claro que ainda tem aí no meio a coisa de generalizar pra todo um grupo social um sentimento. Isso aí em minha terra chama pré-conceito né?  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Minha cara&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu acho que, em certo momento de minha vida, fortemente devido à timidez, de tanto eu querer estabelecer distâncias seguras com o mundo, eu me distanciava de mim mesmo também. Voltando à viagem do banho de quando eu era criança, e de a cada dia descobrir uma parte nova a ser lavada, teve uma parte que demorou muito, mas muito mesmo pra eu me perceber. Calma, não foi a área de lazer não. Mas um belo dia, num dos vários encontros de estudantes de arquitetura que eu fui (sim eu estudei arquitetura) estávamos lá, naquele esquema meio camping, meio república de estudantes, num daqueles momentos de banho bem tosco, esquema mangueirão, com uma galera tomando banho, quando aparece em minha frente o bróder Kaká, estudante de Urbanismo da Uneb e coligado da galera lá de arquitetura da UFBa. E aí me aparece Kaká, com a cara toda cheia de sabão. Pois então rapaz, naquele exato momento, no auge dos meus 20 anos, percebi um absurdo: eu ainda não tinha aprendido a lavar o rosto quando tomava banho! (talvez por isso eu tenha tido tanta espinha quando era adolencente)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Infância&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando eu era criança lembro que achava que havia algo de diferente em mim. Eu não me sentia como uma pessoa qualquer no mundo. E uma prova óbvia disso era que eu via o rosto de todo mundo e não via o meu. Como assim né? Baseado nesse argumento fortíssimo, era muito óbvio que eu não era um ser humano comum. Era como se meu rosto não existisse. O de todo mundo tava lá, pá. O meu não, só aparecia em aguns momentos bem específicos. Principalmente com aquele camarada, o espelho, de manhã. Talvez fosse a fase egocêntrica né, de me achar o centro do mundo. Se bem que até hoje eu me acho o centro do mundo. Hahahahahahaha. Mas agora eu me acho o centro do meu mundo, nada mais que isso. Tá, já teve horas em que eu fui quase o centro do mundo de meus pais, afinal, “eu sou o caso deles, sou eu que esquento a vida deles”. Mas aí veio um neto. E agora outra e o posto foi honrosamente ocupado pela duplinha. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Óculos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu usava óculos desde os 4 ou 5 anos de idade. Minha vida se fez por trás das lentes. Mas foi um pouco mais tarde, quando fui percebendo que eu não era assim tão diferente das outras pessoas do mundo, que uzóculos começaram a cumprir papel fundamental na minha relação com universo. E quando na escola a interação me fez perceber que eu não estava imune às agruras da vida real, que eu estava exposto ao julgamento social, foi bem ele, o vilão de Herbert Viana, que me salvou. Por trás do óculos me sentia protegido. Era quase que como se meu rosto estivesse escondido. Sempre fui tímido. Mas tímido de verdade, do tipo de ter dor de barriga na festa de encerramento do ano letivo do colégio por ser aquela a última oportunidade de tentar alguma coisa com a menina pela qual eu era apaixonado. E a real é que aquele vidro transparente parecia que mantinha o mundo num limite de proximidade que não fosse me invadir. Era tipo me escudo, que eu só tirava na hora de dormir (e nem sempre). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E nessa onda aí tenho a impressão que acabei esquecendo de mim. Foto três por quatro sem óculos não correspondia à imagem que eu tinha de mim mesmo. Eu não lembrava (ou não queria lembrar) muito de quem era eu. Papo doido da porra né? Tô viajando mesmo. Não sei se essa conversa chega em algum lugar, mas é isso mesmo... O fato é que essa necessidade de proteção estético-visual-ocular chegou até a me fazer cogitar desistir da cirurgia de correção de miopia, à qual me submeti, já aos 27 anos. Ou seja, meu rosto, aquilo no que eu não me reconhecia e que eu esquecia até na hora de tomar banho, ainda não era meu. Ou pelo menos eu não achava. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Apartado&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas tem uma coisa que é fundamental diferenciar. Sim, a lente me separava do mundo. Fisicamente. Era a forma que eu achava de me proteger de aproximações físicas. Mas eu sempre me senti uma pessoa conectada com o mundo por via do sentimento. Por dentro eu acho que eu era junto, apesar da separação externa. Porque a distância física nunca foi a mesma da do coração. (Vixe, tô quase virando auto-ajuda, que merda) Mas enfim, apesar de tudo, de todo o escapismo, acho que, em relação ao sentimento, nunca fui distante do próximo. Me lembro de quando eu era bem pequeno e via os meninos de rua e pensava que podia ser eu ali. Ainda mais por causa da cor da minha pele né? Rolava preocupação com aquelas pessoas que estavam morando na rua. Diferente do cara do busu que peguei. Aquele sim vive distante dos outros. Aquele broder sim foi uma prova de incapacidade absoluta de empatia, incapacidade de se ver como semelhante, como parte do todo. De pensar o mal do outro sem se achar estranho. Doideira. E ele nem usava óculos. Espero que algo aconteça na vida dele que faça ele pensar um pouco sobre seus posicionamentos. Infelizmente não tive coragem de tentar dar o pontapé inicial em uma possível reflexão do camarada. Mas tudo bem, eu não sou a palmatória do mundo né? Se for mesmo necessário, Jah saberá ensinar ao bróder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;A vida real nem sempre tem final feliz&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;E aí eu chego no trabalho, num dia aparentemente normal, com a cabeça cheia de problemas (sim, sim, isso acontece muito na vida de um recém-mudado de cidade). E aí chego cedo, ainda pergunto pra os dois únicos servidores presentes no local de trabalho: vocês dormiram aqui foi? E o camarada Ruy responde: houve uma tragédia...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu cheguei na cidade grande (leia-se São Paulo-SP) dia 29 de agosto. E desdo dia 30 estou lotado na 77ª Vara do Trabalho de São Paulo. E desde que eu cheguei na 77ª, sempre rolava uma conversa de uma menina que tinha trabalhado lá e que tinha pedido exoneração. É mais ou menos assim: a menina simplesmente cansou e não estava nem aí pra essa realidade atual em que um bom salário e estabilidade seduzem cada vez mais gente. Ela simplesmente abdicou de um emprego de salário bom, onde ela já exercia uma função comissionada – o que faz o salário dar ainda uma engordadinha a mais. E porque ela largou tudo isso? Por um simples motivo: cansou. Cansou daquela rotina de pressão e estresse. Pra quem tá do lado de fora não dá pra ter muita noção do quão pressionado são os servidores da justiça. Rola aquela velha ideia de que servidor público não trabalha. Mas não vou pagar de coitadinho aqui dizendo que eu queria sair, porque, mesmo com a pressão grande, a maioria das pessoas realmente não quer sair se não for pra um emprego ainda melhor, certamente no serviço público também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certo, certo. A menina pediu exoneração, ou seja, pediu pra sair, zero dois, como diria Wagner Moura. E qual era o plano dela? Largar aquilo, viajar por um tempo e depois voltar pra casa e tentar dar outro rumo à vida. Certamente não era aquilo que estava fazendo ela feliz. E o exemplo que ela tinha dentro de casa talvez influenciasse isso. O irmão dela era (é ainda) palhaço. Investiu sua energia vital numa área certamente mais incerta do que a irmã. Mas, ao que tudo indica, pelo que os colegas lá do trabalho contam, está indo bem, conseguindo boas apresentações e construindo um caminho interessante em sua carreira. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois então, aí vem o trágico. Uma semana após ter sua exoneração publicada no Diário Oficial da União, saindo de um shopping center com a mãe, a caminho do carro, o destino prega uma grande peça e, por meio de um carro a 100km/h que subiu na calçada, chega o ponto final da passagem dessa menina por essa dimensão. Junto com ela, sua mãe também fora atingida e, assim como ela, não resistiu. Muito louco... Quem pensaria numa situação mais tragicamente surpreendente? Ela estava indo atrás de sua alegria, sua liberdade, sua felicidade... E não teve mais que sete dias para exercê-la. Muito louco mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Os caminhos&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Os caminhos da vida quem sabe é Jah, é Deus, é Olodumaré, como você queira chamar por aí. Mas nessa hora bate um sentimento de “pra que porra a gente tá lutando tanto?”. Pra que porra tô eu aqui pensando se vou continuar fazendo a faculdade de Direito, se vou estudar pra outro concurso, se vou fazer um mestrado, se vou buscar outras opções dentro do próprio tribunal onde trabalho... Pra que porra eu fico aqui pensando em escrever um livro um dia, em deixar algo que possa fazer bem às pessoas. Pra que porra eu escrevo nessa porra desse blog empoeirado achando que, enquanto pelo menos uma pessoa no mundo vier aqui, ler e refletir sobre algo que falei, minha missão tá sendo cumprida. Que porra de missão é essa? Será que alguma merda dessas serve pra alguma coisa? Vale pensar em tanta coisa pra daqui a pouco vir uma situação inesperada e pimba!, já foi?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Última parada&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouvi um dia desses, já tem muito tempo, uma frase que atribuíram a John Lennon (o original, não a meu querido amigo-irmão que tá morando em Marília) que dizia o seguinte: a vida é o que acontece enquanto fazemos planos. Acho que não tem nada mais real nesse momento. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora deu uma saudade da porra de minha família. Pai, mãe, tia, irmão, irmã, sobrinho, sobrinha nova que eu nem conheço ainda... Saudade dos amigos. Saudade de mim também. Vou assistir ainda menos televisão. Resolvi gastar R$ 200,00 pra ver um show do Red Hot Chili Peppers.  Vou gastar mais do que previa no aluguel de meu apê por aqui, pra ter a facilidade de pegar um que já tem a mobília na região na qual eu já tenho familiaridade. A minha cara é a minha mesmo, vou lembrar disso. Decidi que vou treinar capoeira de forma regular aqui em São Paulo, mesmo que sozinho. Vou voltar a praticar yoga. Vou tocar mais violão. Vou compor mais. Vou vasculhar mais a net pra buscar passagens baratas, tanto pra Salvador ver família e amigos quanto em outras direções. Diminuir distâncias físicas e do coração. E vou gritar sozinho de vez em quando. Isso me dá uma intensa sensação de estar vivo. Mesmo sem saber bem o que realmente é isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-zjWvckityXk/ToW02HaJhcI/AAAAAAAAAI8/eyUgZ5fCBPQ/s1600/IMG045-01.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 160px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-zjWvckityXk/ToW02HaJhcI/AAAAAAAAAI8/eyUgZ5fCBPQ/s200/IMG045-01.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5658127348655556034" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Eu falei que essa merda tava querido diário da porra. Amotoado de palavras da porra... Acho que me perdi na conversa, se alguém conseguir captar um sentido, depois me conta. Na verdade acho que, como diria Catatau, eu só precisava conversar com alguém. No caso, acho que foi mais comigo mesmo.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4314285796283699384-5756716353018593044?l=caramujonews.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caramujonews.blogspot.com/feeds/5756716353018593044/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4314285796283699384&amp;postID=5756716353018593044&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4314285796283699384/posts/default/5756716353018593044'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4314285796283699384/posts/default/5756716353018593044'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caramujonews.blogspot.com/2011/09/sao-paulo-setembro-de-2011.html' title='São Paulo, setembro de 2011'/><author><name>Eduardo Galindo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01888080448230785768</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_97TceR_3n1E/SbWhfMu8BSI/AAAAAAAAADE/Z86Ll9EGEzs/S220/borra.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-zjWvckityXk/ToW02HaJhcI/AAAAAAAAAI8/eyUgZ5fCBPQ/s72-c/IMG045-01.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4314285796283699384.post-2862746774296589516</id><published>2011-08-31T23:51:00.007-03:00</published><updated>2011-09-01T00:16:49.793-03:00</updated><title type='text'>Da derrota antecipada e das vitórias escolhidas</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Sou sabotagem&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma viagem é pensar que antigamente eu saia e tinha horas que eu preferia ir embora de uma festa a ficar lá e tentar conhecer alguém interessante.  A desculpa era de que era melhor ir logo do que fica na esperança de algo acontecer e depois, ao fim de muitas horas de night, ficar a ver navios. Lembro de uma vez no Rio Vermelho. Cheguei num samba. A gatinha lá, ela tava dando mole (eu achava ao menos), mas eu, por nítida falta de manha da interação, já estava pensando em ir embora. Achava que ia acabar não rolando e eu ia ficar de bobeira. Mas aí esse dia resolvi ficar mais um pouco. Lutando contra o meu lado derrotista que já queria ter ido embora. Fui ficando mais um pouquinho, um pouquinho. No final foi vitória. Mas foi muito tenso. Faltou muito pouco pra eu me entregar, mais uma vez à derrota antecipada. Essa história é velha, mas ainda diz muito sobre o modus operandi de um grande grupo social (no qual eu muitas vezes me incluo). Parece sabotagem, né? Auto-sabotagem da derrota antecipada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Futebol&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem gente que torce contra o próprio time, tá ligado? Eduardo Penna, o sábio, na lista de discussão do baba (pra quem não sabe, baba é jogo de futebol amador) algumas vezes já fez uma analise interessante sobre as torcidas no futebol baiano (eu concordo plenamente com ele) dizendo inclusive que a torcida do nosso glorioso Esporte Cube Vitória tem essa tendência meio estranha de já entrar achando que vai perder, o que gera uma série de desdobramentos, inclusive em campo. Mas a onda é que isso não é privilégio de torcida nenhuma, acontece com pessoas em todos os lugares do mundo. E chega ao absurdo de encontrarmos pessoas que praticamente, aparentemente, torcem contra o próprio time, o que parece meio absurdo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que nesse bolo doido de auto-sabotagem futebolística vem a ideia de se preparar para o pior também. Tipo assim: vai dar merda, eu não quero me frustrar. Mas, ainda pior, é aquela onda de querer dizer o famoso “eu já sabia”, meio que numa síndrome de não querer pagar de otário, que acreditou que o final ia ser diferente. Só que no final, no final mesmo, me vem uma dúvida: estaria essa galera que entra nessa onda realmente torcendo contra seu time? Porque tem horas que chega a confundir mesmo. Meu pai, o famoso senhor Valdumiro Galindo é um exemplo desse comportamento futebolístico que deixa margem pra diferentes interpretações. Demorou algum tempo até eu perceber porque ele não gostava de assistir os jogos com a galera, preferia assistir sozinho. É porque é muito fácil geral chamar ele de pessimista, pé frio, agourento ou coisa assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Mais do futebol e mais pro coletivo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inventaram dia desses aí o “jogo de uma torcida só”. Num sei se é só lá, mas vi isso em Minas, onde teve um jogo só com a torcida do Atlético e outro só com a torcida do Cruzeiro. André Rizec, um dos comentaristas interessantes do mundo futebolístico brasileiro, disse que aquilo era o início do fim. E eu concordei plenamente com ele. É a derrota da humanidade. É a derrota do esporte e é a derrota do coletivo. É como se a gente se entregasse, sem tentar mexer na onda, sem tentar mudar o rumo do que (eu acho que) ainda pode ser mudado. A gente vai bater três vezes no tatame só porque é complexo convencer às pessoas que aquilo ali é só um jogo de futebol, uma alegoria, uma fantasia, uma diversão, que se você perder ali não acontece nada com sua vida, sua mãe não morre, sua casa não pega fogo e que não tem motivo pra querer dar uma pancada na cabeça do outro que tá com a camisa do time rival? Acho foda isso também, essa derrota antecipada grupal. Aliás acho ainda mais foda do que a derrota individual. Porque quando um cara tá na de derrota, o coletivo sempre guarda alguém (ou alguéns) que ainda tem (têm) esperança e que anima(m) a comunidade. Quando todo mundo entra no clima de derrota...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;E a música? Chance pra desistir não faltou.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira vez que subi em um palco em minha vida eu tinha 15 anos, cursava o Primeiro Ano do Segundo Grau. A gente tentava tocar algumas coisas no violão nos intervalos de aula, e aí um belo dia chega a menina do grêmio estudantil e diz: estão abertas as inscrições pra a Mostra de Som do Colégio Módulo. Na mesma hora olhei pra Alexandre de Andrade Montenegro (vulgo Bactéria, Pinguelo ou Zóio) e ele olhou pra mim e disse: vamo montar uma banda? Pronto, e em 15 segundos Bactéria já tinha a banda quase toda definida, com nosso colega de sala Breno Rego Pinto da Costa pra tocar a guitarra solo, eu tocando o baixo, e ele na guitarra base e voz. Aí em pouco tempo surgiu Maurício Santil Santos, amigo de um amigo de Bactéria e pronto, fechou, é nóis, beleza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resumindo a história do primeiro show de minha vida, a gente não sabia nem a função de uma passagem de som, não entendiamos porra nenhuma, acabamos tocando com o som qualquer coisa, e a imagem clássica que não me esqueço é a de Daniel Ramos, vulgo Cabelinho, nosso colega de sala e Antony Kiedis da favela nas horas vagas, um dos poucos gatos pingados que foram ver a banda que foi  abriu o evento (mesmo tendo sido sorteada pra tocar em penúltimo das mais de 10 bandas). Bem no momento em que estávamos tocando o refrão da música I Saw You Saying, hit do Raimundos naqueles tempos, quando, no auge de minha capacidade de compreensão do momento/contexto histórico, vi Bactéria cantando e pensei “tá faltando algo... é aquele backing vocal que Digão faz”, quando me encaminhei pra o microfone e resolvi soltar a voz, dei de cara com a cara de Cabelinho. Quer dizer, por pouquíssimos instantes porque foi só eu começar o “i saw you saaaaying” pra Cabelinho virar a cara, meio pra trás, meio pra baixo com aquela expressão de”putaquepariu-quedisgraçaéessaaí!” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, contei o evento de forma bem compacta mas pra você ter uma ideia, a única hora em que o público se manifestou com gritos de aprovação tipicamente roqueiros foi quando acabou o show, quando Bactéria se desculpando no microfone pelo show horrível que tínhamos feito largou um “esse colégio é uma desgraça”. Aí sim a galera foi ao delírio. E ainda assim, mantivemos a banda por um bom tempo. Teimosia? Mais ou menos isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Outra chance de desistir... Vai perder de novo?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando eu trabalhava no Estúdio Zero, já bem mais velho, formado em publicidade, com experiência em algumas bandinhas por aí, ao lado de grande figuras baianas do quilate de Diego Andrade, Edson Pirambu(ípsilon), Willamar, o dono do pedaço seu Marco Balena e Eugeniusz Kowalski , era engraçado. Eu percebia nitidamente  que eu era o músico mais meia boca dos que trabalhavam ali. Talvez por isso eu tenha ficado mais tempo dedicado à produção de spots (aquela propaganda de rádio que não é musiquinha, ou seja, não é jingle), só algumas vezes trabalhando algo de jingles. E foi nesse cenário interessante que o meu amigo Kowalski, no auge de sua sinceridade misturada com seu habitual exagero (espero eu!), quando eu tava com o violão na mão tocando qualquer coisa, disse: velho, você é o pior violonista do mundo. E se acabou na risada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A essa altura eu já tinha perdido boas oportunidades de parar com a música. Mas ao invés disso, eu ia me jogando mais, de forma muito doida. Toquei reggae quando Guga Libertus me chamou pra tocar, sem que eu nunca tivesse nem tirado um baixo de reggae; fui tocar com Tiago Boró Gusmão, seu pai Paulo Gusmão, Junior Saraiva, figuras bem mais calejadas do rock baiano; aceitei o desafio de tocar o geniozinho do samba Joãozinho Ventura no Unifest; me joguei pra fazer o som com Matthew Collins (espero que o nome eu tenha acertado), inglês broder de Joni Guardanapo arriscando coisas que nunca tinha feito... Enfim, fui na cara de pau me jogando. Isso sem contar com o meu mestre maior, Diego Andrade, o cara que acompanhar o raciocínio musical sempre me foi (e continua sendo) um desafio enorme. Normalmente quando consigo entender o que Diego tá fazendo, ele já passou, já mudou o riff e entrou em outro groove, já tá lá na frente. Mas nunca (ou quase nunca) tirei o corpo fora, não fugi do desafio de tentar fazer o som funcionar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Kowalski, você não me convenceu!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí chega agora eu fazendo o som com meus amigos Maurício Santil e João do Val e olha o que eu tô me divertindo mais tocando: o violão! Que onda... Agora que eu tô todo querendo tirar onda de multi-instrumentista (querendo ser medíocre em vários instrumentos), com cavaquinho, baixo, pandeiro e mais umas presepadinhas de percussão, me vem o instrumento como qual eu comecei (como a maioria das pessoas do mundo eu acho), ele que, por muito tempo foi meio que “só-pra-roda-de-violão-em-luau-ou-encontro-de-estudantes-de-faculdade-com-galera-comendo-água”, termina a história como mocinho. Ó que coisa rapaz... Eugeniusz realmente não me convenceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Comunicação é o canal&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas vezes pessoas vieram pra mim pra falar que eu tocava bem. Muitas vezes, em minha opinião bem sincera, sem frescura de modéstia nem porra nenhuma, acho que foram pessoas meio que não prestavam tanta atenção e/ou pessoas que acabavam influenciadas pela amizade. Tiago Trad, manjado batera de rock baiano, atual Cascadura, me falou isso uma vez. Fiquei pensando: velho, o cara é simpático, me acha um cara legal (apesar de a gente não se conhecer muito) e vai e elogia. Ele disse algo como “porra, você toca pra caralho”. E eu falei quase um “que cachorro o quê, eu num sou cachorro não” daquele guri hit da internet. Em outros momentos até uns caras que tocam pra caralho, baixistas inclusive, com outras palavras, comentaram coisas no mesmo clima. Eu fico, porra, beleza... Mas no fundo eu sei dacolé de minha capacidade musical.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí vem Pedro Itam, anteriormente conhecido como Pedro-gás, e me fala certa feita, depois da gente fazer o som em algum lugar que nem lembro onde foi: broder, foi massa, você se comunica tocando seu baixo. Rapaz, aquilo ali foi profundo. Acho que foi o elogio mais decente que já recebi. Porque comunicar é o que eu sempre busquei, eu acho. Eu nunca tive a ilusão de que eu seria um virtuose de instrumento nenhum. Minha busca nunca foi essa. Pelo menos não que eu me lembre. E esse elogio vir de Pedro, um cara que eu admiro muito como músico e como pessoa, me deixou feliz. Afinal, eu acho que não foi à toa que Jah me botou numa faculdade de Comunicação. Meu objetivo já tava ali, era meio essa onda mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Minha vida é andar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Ronei Jorge disse certa feita numa música que pra ele tudo mudava sem pesar. Dia 29 cheguei em São Paulo. De novo. Pra ficar. Quanto tempo? Jah saberá responder.  Na mala, um bocado de saudade. Já. Amigos, amigas, irmãos, companheiros, comparsas da vida guerreira. Pai e mãe: ouro de mina. Muito ouro. Mas meu coração é desejo e sina. E é isso mesmo. Nessas situações eu, como na música, sou muito mais eu. Se tem uma coisa que não tem nessa hora é derrota antecipada. É vitória. Uma vitoria que eu escolhi que fosse vitória. Bato no peito e digo: sou mais eu mermo, pode vir de lá com seu rabo de arraia, vida misteriosa, que eu me saio na negativa e aú-rolê. Até porque é assim que tem que ser né? Nesse momento eu me garanto. E me garanto até se não guentar, tá ligado? Confio demais em minha capacidade e sei que se precisar voltar antes do tempo, dou meus pulos e consigo me virar. Mas não vou precisar voltar antes do tempo não. Vou voltar quando for pra voltar, na hora certa. Sem pressa, na calma. Porque a vida, em seus métodos, diz: calma. E vou buscar. Na calma. E ainda mais forte. Leve fé. E é sempre bom avisar: estamos sempre pelaí. Questão de fé. &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4314285796283699384-2862746774296589516?l=caramujonews.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caramujonews.blogspot.com/feeds/2862746774296589516/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4314285796283699384&amp;postID=2862746774296589516&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4314285796283699384/posts/default/2862746774296589516'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4314285796283699384/posts/default/2862746774296589516'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caramujonews.blogspot.com/2011/08/da-derrota-antecipada-e-das-vitorias.html' title='Da derrota antecipada e das vitórias escolhidas'/><author><name>Eduardo Galindo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01888080448230785768</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_97TceR_3n1E/SbWhfMu8BSI/AAAAAAAAADE/Z86Ll9EGEzs/S220/borra.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4314285796283699384.post-8438000165603398465</id><published>2011-07-30T11:46:00.008-03:00</published><updated>2011-07-30T12:16:07.239-03:00</updated><title type='text'>Vegetarianismo</title><content type='html'>Dia desses, minha colega de trabalho Vanessa Oliveira viajou com o marido dela e me trouxe uma lembrancinha que ela disse ter visto e ter lembrado imediatamente de mim.  Era um ímã de geladeira com a frase: “Os animais são meus amigos. E eu não como meus amigos.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;...&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Com um rápido cálculo vejo que já tem dois anos e 8 meses que eu decidi não comer mais nenhum tipo de carne. Mas como é, virei vegetariano? Rapaz... Outro dia cheguei a debater com a amiga Giovana Suzin a definição do que era ser vegetariano, vegano, ovolactovegetariano, e essas coisas todas. Apesar de todas as indicações que ela me deu do que é mais aceito, dos usos mais comuns, acho que ainda prefiro a definição mais simples pra quando alguém me pergunta sobre minha alimentação: “eu não tô comendo carne”. Acho que essa definição tá bem dentro do que penso inclusive pelo sentido efêmero ou indefinido no tempo. Não me sinto muito à vontade com nenhum rótulo que queira me prender ad eternum. Por hora esse aí tá me servindo. Então vamo simbora, vamos pro mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Entender X Se meter&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia desses fui com meu amigo Eduardo Penna ao litoral norte da Bahia pra ver uma onda de um imóvel que ele quer vender por lá. Lugar legal, simpático, prainha legal... Mas chegando lá, depois de um tempo, fez-se necessário saciar aquelas velhas amigas que vivem na cavidade tronco-abdominal, conhecidas pelo simpático nome de lombrigas: precisávamos almoçar. E aí, pela voz da garçonete do bar/barraca que paramos, vem aquele velho problema: tem PF de frango, de peixe e de bife. PF, imagino seja sabido por todos, é o famoso “prato feito”. E aí lancei a pergunta que tanto me salvou no tempo em que morei em Ipiaú, especialmente quando precisava almoçar na estrada: dá pra trocar o frango do PF por um ovo frito? E, como na maioria das vezes, a resposta no final seria positiva, mas antes disso – como acontecia quase sempre também – veio a careta e a pergunta pra confirmar: você quer que tire o frango pra botar um ovo frito?! Rapaz... Já ia eu começar a argumentar com a garçonete quando Penna, com toda sua habilidade e objetividade, disse: ele não tá podendo comer carne não. Pronto. Aí a nossa querida atendente relaxou: ah, tá certo então... Num tá podendo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei se a história das civilizações, a história da humanidade, a história dos seres vivos ou, um pouco mais próximo, a história do Brasil ou da Bahia recente, historia (agora é verbo) explicação pra essa coisa que acontece quase o tempo todo, normalmente. Sei lá, as pessoas buscarem sempre compreender as outras, para um pouco além de simplesmente aceitar, acho até interessante. Dá uma certa quentura nas relações né? Aproxima. Mas o perigo que vejo muito iminente é o de descambar para a intervenção. Querer entender, se preocupar com a outra pessoa, beleza, na manha. Mas querer interferir, como muitas vezes acontece, pode ser um bocado chato. E tende, no final das contas à lógica do “eu sei o que é melhor pra você”. Até já falei disso outro dia por aqui pelo blog (mas acho que já apaguei a postagem), é meio tema recorrente pra mim. E pra completar a doideira que é a coisa de querer interferir, nos dias de hoje, no contexto de prestação de serviços, isso me parece, às vezes, ir de encontro à lógica capitalista de cada um por si, do profissionalismo puro, do “pagando bem que mal tem?”. Se bem que, a bem da verdade, lá onde a gente tava não rolava um capitalismo tão avançado assim... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, mas só pra ficar claro, a garçonete que atendeu a gente não chegou nem perto de tentar interferir na minha escolha, ela foi bróder, só fez mesmo tomar um leve susto. Falei essa onda aí só por ter refletido na atitude que ela poderia ter. Se bem que se Penna não interferisse, não sei como seriam os desdobramentos da situação...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Como diria Raul, eu sou ísta, eu sou ego...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas voltando ao foco da conversa, eu sempre dizia (e continuou dizendo): estou sem comer carne por questão absolutamente egoísta: me sinto melhor sem comer carne. A coisa de não matar os bichos, de não desmatar a floresta amazônica e blá blá blá até me soam legais, mas o ponto fundamental é o “eu” mesmo. I and I, já diria Bob Marley. “Eu e eu buscando o ponto de equilíbrio”, diriam os bróder daquela boa banda de reggae carioca. Ou seja, como diria a professora de massagem com quem tive umas aulas outro dia desses, Purnima, o foco tem que ser “primeiro eu, segundo eu, terceiro eu e quarto eu”. Porra que viagem escrota dessa galera né, egoísmo da porra... Mas é isso mesmo, na massagem, por exemplo, você tem que estar bem pra poder aplicar, não dá pra você fazer estando mal ou fazer e depois ficar mal. No resto do universo também é assim, num dá pra consertar o mundo se você não tá bem consigo. Num dá pra ajudar alguém a caminhar se você não agüenta nem ficar em pé com suas próprias pernas, né? Querer mudar o mundo sem busca de mudança pessoal é lenda. Os comunistas falavam na criação do novo homem, né? É a ideia. Mudando a consciência de cada um é que se muda o coletivo. É então eu acho que eu não estou sendo tão egoísta assim não... O “título” desse parágrafo diz uma coisa e eu aqui agora e já acho que tô mudando de ideia... Putz, engraçado como em tão pouco tempo as coisas podem mudar. Isso me lembrou até a música de Caetano, Vaca Profana, que, como bem me chamou atenção meu irmão Ernesto Galindo, há milênios atrás (sei que o “atrás” nesse caso é redundante mas eu gosto), mais ou menos no período mesozóico da minha iniciação musical, é uma música que começa dando uma opinião e quando chega no final, já tá tudo mudado. Mas isso é outra história, outra doideira...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Empatia&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho essa coisa da empatia, de conseguir captar situações colocando-se no lugar do outro uma coisa que tem muito a ver no contexto da vida em sociedade. E acho mais legal ainda conseguir extrapolar isso do ser humano e espalhar pra o universo. Lembrar que a “sociedade” não compreende só os homens e mulheres do planeta. Não to dizendo aqui que todo mundo deve, por via da empatia, deixar de comer carne porque se colocou no lugar dos pobres animaizinhos. Cada um busca o seu caminho. Mas acho que a capacidade de se colocar no lugar dos outros (no sentido mais geral possível) ajuda a estabelecer padrões que servem de horizonte pra “humanizar” as relações da gente com tudo, com animais, vegetais, minerais, a porra toda. Na real, “humanizar” em si já é uma expressão meio fuleira, uma onda que já pressupõe uma superioridade que foi convencionada do homem em relação aos outros animais e todas as outras estruturas existentes no mundo. Ou seja, é uma expressão que contém uma grande pretensão humana de que nós podemos, de lambuja, porque a gente é bonzinho, conceder a outros seres as benesses do ser humano. Ainda pior que isso, e digno de preocupação, só mesmo quando a gente lembra que a expressão é usada também pra a espécie humana. Na moral, pire aí, se o cara (que é ser humano) tá em uma situação em que precisa ter sua realidade “humanizada”, aí babá, é porque a coisa tá muito feia mesmo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Pedra Sábia&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos idos de antigamente, quando eu era mais jovem, era muito fã de uma banda de rock soteropolitana chamada Locomosquito. Era não, ainda sou. O problema é só que Marquinhos, Éder e Rubens não se encontram mais para tocar juntos, a não ser em festinhas de aniversário de amigos em comum, de forma descompromissada e não regular. E que a fita K7 que eu tenho partiu, o que acaba com minha possibilidade auditiva para o caso específico. Mas a viagem é que essa banda tinha uma música chamada “Pedra Sábia”, se não me engano, com letra de Marquinhos e Ucha que dizia, em linhas gerais, que a pedra tá aí, viu como tudo começou e vai poder contar como tudo vai acabar, enquanto a gente não vai ver porra nenhuma. Em que pese o fato de que esse começo e esse fim são coisas um tanto relativas, acho que era uma música massa que, no final das contas, questionava essa pretensa superioridade do ser humano em relação a outras estruturas ao nosso redor. Talvez eu tenha viajado um pouco né? Mas é isso mermo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o último passo pra essa viagem da empatia, o aprofundamento dessa onda de se reconectar a o que está a nossa volta, é passar a entender o universo como uma só estrutura, o que, pra mim pessoalmente, é a mais clara das verdades. Pensar que somos, de verdade, sem retoricazinha de pseudo-bom-mocismo-ecologista, todos parte de uma mesma coisa é tão fácil como aceitar que a luz do Sol vira energia pelas plantas, nosso corpo vira adubo depois da passagem para o outro lado e que energia de um corpo é igual a sua massa acelerada ao quadrado da velocidade da luz. Energia, luz, carne, osso, som, entulho de construção, pensamento... Tudo a mesa coisa. A ciência na real já prova isso, só não faz é pensar (ou apresentar) as coisas de forma conectada. Olha as coisas que aquele cientista brasileiro, Miguel Nicolelis, anda fazendo por aí... É conexão pelo pensamento. No final é tudo a mesma coisa, uma coisa vai virando outra, não consigo ver muito mistério nisso. Mas enfim, cada um entende as coisas à sua maneira, máximo respeito, né? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Cara a cara?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Há relativamente pouco tempo, quando eu ainda estava morando no bairro do Itaigara, na cidade do Salvador, chegando perto de casa, vi um outdoor que me impressionou. Era uma propaganda de uma churrascaria que tinha quase metade de seu espaço tomado por uma fotografia de um boi (enquadramento close, pegando do pescoço pra cima). O boi tava olhando pra a câmera. E pra completar ainda tinha tipo um filtro avermelhado na foto. Que porra era aquela? Eu não como carne, mas imagino que mesmo quem come, não gosta de ficar lembrando que aquele pedaço suculento que você tá devorando era um bichinho feliz, mugindo pelos pastos de belas fazendas. Ou um bichinho não tão feliz preso numa baia onde ele mal podia se movimentar, pra poder a carne não endurecer, como é bem comum hoje em dia. E o filtro avermelhado era pra quê? Pra lembrar o sangue que iria correr dentro de instantes, no matadouro? Que onda é essa, rei?! Será que eu estou enganado e a maioria dos carnívoros gosta de exercitar seu instinto predador ficando cara a cara com a sua pseudo-presa?! É, de repente é isso e eu que tô viajando.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;Matar, comer, etc&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando à conexão rango-mundo, me veio à cabeça uma lembrança, dia desses à toa, no meio de uma conversa sobre essas coisas de alimentação e opções: muito antes de mudar minha dieta alimentar eu já tinha abolido de minhas práticas normais de vida matar qualquer tipo de animal. Tipo assim, se eu vejo uma barata na minha casa, tento afugentá-la. Não gosto de matar bichos. E isso foi se tornando meio que uma regra pra mim, só quebrada em situações bem específicas. Ah, você é budista, hippie ecologista, o caralho a quatro... Sou não, velho. Mas só sei que as coisas foram acontecendo assim. E aí agora me vem a auto-pergunta, o auto-questionamento: será isso de não matar animais tem alguma relação com o fato d’eu ter deixado de comer carnes? Será que, sem que eu percebesse, já rolava uma onda de conexão com os animais desde antes? Hum...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É, minha amiga Vanessa e o ímã de geladeira estavam certos. Acho que os animais são meus amiguinhos mesmo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-eVhWyeo54rM/TjQagM7kXeI/AAAAAAAAAI0/QrNRb5g80y0/s1600/IMG0031A.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 160px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-eVhWyeo54rM/TjQagM7kXeI/AAAAAAAAAI0/QrNRb5g80y0/s200/IMG0031A.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5635158174276541922" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;(almoço volta de viagem, vulgarmente conhecido como "gororoba-pega-tudo-que-restou-e-joga-farinha)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois desse lombra, cabe até uma musiquinha do disco Vamos Pro Mundo, dos velhos Novos Baianos, com o devido destaque pra um trecho da letra, que imagino ser do camarada Galvão. A Conexão dela com o que falei agora é meio relativa, até porque as letras do bróder aí dão margem pra muuuuuuitas interpretações...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Guria&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;(&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Morais e Galvão&lt;/span&gt;)&lt;br /&gt;Guria, Guria&lt;br /&gt;Queria, queria&lt;br /&gt;Queria o quê? Ô guria&lt;br /&gt;Caiu pra você&lt;br /&gt;Mastigue, corta roa&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Assuma numa, pá&lt;br /&gt;Conforme o seu &lt;br /&gt;Atual estágio de animal &lt;br /&gt;“Ou pensas pensa que é àtoa &lt;br /&gt;que nêgo diz:&lt;br /&gt;ô bicho!”&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Então marcou&lt;br /&gt;E marcar é pior &lt;br /&gt;Que perder gol&lt;br /&gt;E queixas só dá rugas&lt;br /&gt;E o vento seca&lt;br /&gt;Amor enxuga&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.S.: &lt;span style="font-style:italic;"&gt;certa feita meu amigo Xandolino me disse que um texto que eu coloquei aqui no blog falava praticamente a mesma coisa que um outro, de uns poucos meses antes. Conclusão 1: minha opinião sobre o assunto abordado não mudou muito, beleza, aceitável até, eu diria. Conclusão 2: ainda bem que apaguei os textos antigos aqui do blog. Daqui a pouco é hora de fazer isso de novo pra evitar micos de repetição.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;:P&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4314285796283699384-8438000165603398465?l=caramujonews.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caramujonews.blogspot.com/feeds/8438000165603398465/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4314285796283699384&amp;postID=8438000165603398465&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4314285796283699384/posts/default/8438000165603398465'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4314285796283699384/posts/default/8438000165603398465'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caramujonews.blogspot.com/2011/07/vegetarianismo.html' title='Vegetarianismo'/><author><name>Eduardo Galindo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01888080448230785768</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_97TceR_3n1E/SbWhfMu8BSI/AAAAAAAAADE/Z86Ll9EGEzs/S220/borra.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-eVhWyeo54rM/TjQagM7kXeI/AAAAAAAAAI0/QrNRb5g80y0/s72-c/IMG0031A.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4314285796283699384.post-3209220955197413107</id><published>2011-06-30T23:32:00.003-03:00</published><updated>2011-07-02T12:14:05.374-03:00</updated><title type='text'>O Homem da Camisa de Nuvem e a Mulher do Vestido Florido</title><content type='html'>E eis que chega o São João. E aí, vai viajar? Vou não. Ah tá... E eis que, ainda durante o feriado joanino, chega o domingo. Porra, maresia da porra... É, ligar a tevê um pouco, de repente algo surge de legal né? É... Mas existe vida fora da tevê a cabo? Rapaz... Arriscar... E eis que, nesse momento, um novo mundo se abre: a tevê brasileira tem salvação! Obrigado Jah por me mostrar isso!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_______________________________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois então, a boa surpresa televisiva foi o programa de Regina Casé, na rede da família Marinho. Ela já começou o programa de boa forma ao perguntar “quando a gente pensa em São João, o que é que vem logo à mente?” Luiz Gonzaga, foi a resposta de muitos. Só nessa aí eu já simpatizei com o programa. Mas isso era só uma pequena amostra do que viria a seguir. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Visualmente o programa também é (ou estava nesse dia, eu nunca tinha assistido) bem alegre, com cores e sem medo de ser cafona ou brega. Gosto disso. Me passa (eu escrevo do jeito que falo, o pronome vem onde eu acho mais natural, não adiante o Word querer me corrigir) uma sensação de despreocupação que me agrada muito. Me lembra até o velho Chacrinha (que sinceramente lembro muito pouco do programa, lembro mais do impacto de quando ele morreu, pois era muito novo, mas algumas imagens ficam registradas na memória visual). Senti um clima bom do tipo: porra de preocupaçãozinha de esteticazinha cleanzinha, toda bem cuidadinha porra nenhuma... A alegria e espontaneidade são mais importantes. E acho que foi isso que identifiquei nesse programa aê, visualmente.  E (“e” de novo? Foi mal, acho que tô precisando de um dicionário de sinônimos. E (de novo?! E o pior que  agora fico parênteses dentro do parênteses... Putz, vou acabar me perdendo) olha que a broder Giovana Suzin até indicou alguma coisa no gênero dia desses aí, mas eu não dei atenção)... Sim, eu ia dizendo que pra completar (sem o “e”) tinha um grupo de samba e um grupo de forró acompanhando e fazendo as trilhas do programa, além dos artistas convidados, o que também me agradou bastante. Mas ainda assim, era só começo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Conteúdo&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cumpadi, essa mulher fala (ou falou, não sei, novamente lembro que foi a primeira vez que assisti) sobre o preconceito contra nordestinos de forma muito espontânea sem perder a capacidade de clareza, de relembrar o quão louco é esse tipo de preconceito. Rolou de mostrar o cara que vende a pamonha com seus filhos cantando musicas de autoria própria, com base no funk carioca. Dentre outras coisas legais que vi, teve ainda o momento em que apareceram os Aviões do Forró. Foi legal perceber que Regina Casé e eu comungamos de muitos pontos de vista em comum. Uma viagem mesmo ver que ela utilizou praticamente a mesma comparação que fiz dia desses aqui no blog sobre Luiz Gonzaga e Aviões do Forró, focando inclusive a tendência modernizadora de Luiz Gonzaga e a naturalidade de se modernizarem as manifestações musicais. Bom, muito bom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Aeroporto-rodoviária&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra coisa legal que foi colocada foi essa onda, que se tornou quase comum às ditas altas classes, de dizer que os aeroportos hoje em dia estão mais parecendo rodoviárias. Putz, num precisa nem falar o quanto de preconceito essa ideia guarda, mas o legal foi que, além de ter dito com suas próprias palavras o quanto esse fenômeno de “rodoviarização” dos aeroportos era bom, a apresentadora ainda entrevistou pessoas que deram depoimentos simples mas bonitos (e felizes) sobre suas experiências inaugurais em viagens de avião. Teve gente que tava com passagem comprada pra voar pela primeira vez, teve gente que agora viajava com alguma freqüência, teve uma mulher que voltou a terra natal após 34 anos da partida... E teve até espaço pra a própria apresentadora fazer piada sobre os novatos de viagens aéreas. Mas até a piada me soou, embora engraçada, bastante respeitosa, deixando esse pequeno momento da piada funcionar como um grande exemplo de que pode existir ética no humor, diferente do que pensa um bocado de gente por aí. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Resumo: a broder tem a manha&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porra, o trabalho que Regina Casé faz na tevê merece muitos louvores. Me identifiquei bastante com as idéias do programa, vi ali coisas que merecem espaço nas grandes mídias e que, em geral, não têm. Ela se assume como nordestina (ou descendente, na real) e fala de orgulho nordestino de forma muito bonita, assumindo suas origens e dando a elas um significado diferente do que a aparente maioria dos brasileiros do sul-sudeste está acostumado a dar. Dando inclusive exemplos da família dela, do avô que era do Nordeste, veio e com o suor do seu trabalho conseguiu ganhar dinheiro. Do caralho, fiquei fã da broder. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Santa Regina dos Milagres&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Regina conseguiu inclusive uma coisa incrível: me fazer simpatizar com Luan Santana! Antes eu ouvia esse nome e só lembrava de Nanda Abóbora e Rômulo Augusto, pessoas legais desse mundo. Hahahahahahaha! O broder Luan que canta o neo-sertanejo, com visual parecido com o do Fresno, foi colocado pra fazer misturas a fim de soar como “forronejo”, “pagonejo” e etc. Legal, foi divertido. Teve um momento antes no programa que ela colocou uma música de Luiz Gonzaga na versão original e depois na versão do Aviões,  e disse que as duas versões eram boas. Acho no quadro com Luan, quando ela inclusive botou ele pra cantar um sertanejo daqueles bem típicos, antigos (o qual ele cantou aparentemente bem feliz) ajudou a reforçar a ideia legal de não ter preconceito com músicas, misturas ou modernizações. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;E a camisa de nuvens?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tinha dito que Regina Casé começou o programa dizendo que quando a gente pensa em São João vem à mente Luiz Gonzaga.  Pois então, esse broder aí, que tinha uma camisa de nuvens, imortalizada num DVD chamado Danado de Bom (acho que é o único material audiovisual dele lançado no mercado), se tornou “sinônimo” de São João por que mesmo? Rapaz, eu diria que,sem desmerecer outras  figuras importantes, ele fez por onde ter essa moral aí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tiel da Bahia, grande figura baiana, vulgarmente conhecido por Daniel Abreu, semana passada comentou comigo: velho, Luiz Gonzaga deve ter mais de 100 músicas de sucesso nacional, só daquelas clássicas mesmo. E aí eu até lembrei de quando, nos idos tempos de São João em Amargosa, comecei a ter contato maior com os clássicos do forró (eu tava saindo daquela fase adolescente roqueiro boboca) e, ao ir atrás das musicas percebi: todas (e na época eram todas que eu procurava mesmo) eram de autoria ou ao menos tinham ganhado visibilidade geral com gravações de Luiz Gonzaga. &lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;Formatado pelo rei&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí chega um belo dia, uns tempos atrás, Eduardo Penna me liga dizendo: velho, você tá ligado que foi Luiz Gonzaga quem inventou o trio de forró. Eu: Rapaz, num tava ligado não... E Penna completou: acabei de ver um video aqui no youtube em que ele conta esse historia. É... Pausa para pra refletir que a noticia foi bombástica (daqui pra o próximo texto prometo que começo a colocar links das coisas citadas).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois então, após esse momento de espanto fui começando até a me acostumar com a ideia. E aí, um dia tava em casa de bobeira, quando, assistindo um DVD do camarada Luiz Gonzaga Junior, vejo o cara contando a história que, em linhas gerais, Luiz Gonzaga criou o formato que hoje é conhecido como trio de forró, com zabumba triangulo e sanfona. E o filho do homem ainda contou com alguma riqueza de detalhes o processo da busca do formato ideal que o pai empreendeu, indo encontrar o triângulo um belo dia na rua, com um vendedor ambulante que, inclusive, se negou a vender o instrumento, o que obrigou Luiz pai a mandar fazer um exemplar antes de se entocar em casa trabalhando com afinco e precisão os toques que seriam executados pelo instrumento na execução dos variados ritmos nordestinos. Rapaz... Agora me convenceu, é fato: foi o rei quem formatou o trio de forró.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;Herdeiros da Asa Branca&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Brasilia, uma dia desses, fui conhecer o Clube do Choro. Era dia em que ia se apresentar o camarada Spok, com seu quinteto de forró. Coisa fina. E esse pernambucano arretado, no meio do bate papo disse: a gente tem que ouvir Dominguinhos, e com ele aprender linguagem musical brasileira de verdade! Porra, massa, o broder deu a ideia. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Sim, e daí, o qui-é-qui  Spok entrou na conversa agora? Sim ele entrou no papo porque o cara que ele citou como referência hoje de musicalidade brasileira, de linguajar instrumental tipicamente nosso, esse cara com essa moral toda surgiu para o mundo como? Surgiu com o apoio e incentivo fundamental do mestre Luiz Gonzaga, que foi quem deu a primeira sanfona de verdade a ele. E no show dele de despedida do Rei do Baião (o do DVD, que eu não sei nem se foi a despedida mesmo, mas sei que tem lá gravado ele falando que aquele seria o último show da sua carreira) tem uma banda que nas sanfonas estão “apenas” Dominguinhos e Oswaldinho. E entre as participações tem o grande Sivuca, que na entrevista ainda diz que muito do que sabe de sanfona aprendeu com Gonzagão. Sacou dacolé? O cara tinha na banda dele diretamente, ou sendo influenciados por ele, os caras que depois as pessoas diriam: esses são “os caras”. Ele foi praticamente um Miles Davis do sertão nesse sentido. Nessa apresentação de despedida do velho Lua dá até pra ver uma prévia, na música Aproveita Gente, do que seria praticamente, uns 20 anos depois, o disco “Cada Um Belisca Um Pouco”, com Dominguinhos, Sivuca e Oswaldinho, cada um beliscando um pouco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;No couro&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando fui fazer minha primeira tatoo há alguns anos, pensei: a única coisa que preciso ter é a certeza de que aquele desenho significará algo pra mim, pra sempre. Porque esteticamente as coisas podem mudar, os padrões se modificam e um desenho que é lindo hoje pode não ser mais tão lindo em outro momento. E hoje em dia, quando eu olho pra meu braço esquerdo e olho pra a primeira tatuagem que fiz, baseada numa xilogravura de nome “o rei do baião”, penso: é, eu acertei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Allright!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após um sábado de São João massa ao som do mestre Gilberto Gil, ao vivo, comemorando seus 69 anos de vida, numa alegria linda, cantando várias músicas do mestre Luiz Gonzaga, faltava só mesmo um programa televisivo dominical como aquele de Regina Casé especial de São João. Já tinha até esquecido que o texto começou falando dele, mas daqui mesmo dá pra concluir: assim como Gilberto Gil e Luiz Gonzaga, a companheira Regina Casé agora também é referencia! Êa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Ah e só pra fechar a conexão-contexto: Regina Casé tava com um vestido florido no programa. Juntou isso com a camisa de nuvens do show de Seu Luiz, com uma pitada do Homem que Engarrafava Nuvens e O Homem da Gravata Florida, deu nesse título aí.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4314285796283699384-3209220955197413107?l=caramujonews.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caramujonews.blogspot.com/feeds/3209220955197413107/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4314285796283699384&amp;postID=3209220955197413107&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4314285796283699384/posts/default/3209220955197413107'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4314285796283699384/posts/default/3209220955197413107'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caramujonews.blogspot.com/2011/06/o-homem-da-camisa-de-nuvem-e-mulher-do.html' title='O Homem da Camisa de Nuvem e a Mulher do Vestido Florido'/><author><name>Eduardo Galindo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01888080448230785768</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_97TceR_3n1E/SbWhfMu8BSI/AAAAAAAAADE/Z86Ll9EGEzs/S220/borra.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4314285796283699384.post-6819149842254966457</id><published>2011-05-31T11:06:00.007-03:00</published><updated>2011-06-01T08:36:59.829-03:00</updated><title type='text'>Carnavais</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Ah Recife! (1)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Frase generalizante do dia, pra começar sem polêmica: Recife, definitivamente, tem uma resistência em relação à Salvador. Ou Pernambuco em relação à Bahia, como preferir. Ou em relação a o que vem da Bahia, seria mais preciso. Mas é a parte pelo todo, metonímia né? Tem alguma coisa, uma rusgazinha mal disfarçada. Tem. É fato. Culturalmente me parece muito nítido isso. Não que seja uma regra absoluta, é óbvio. Mas é um fato notório pra qualquer baiano ou baiana que por aquelas terras aporte. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há alguns anos atrás, a primeira vez que ouvi falar dessa rixa unilateral (talvez seja o primeiro caso de uma rixa unilateral na história, porque é só de lá pra cá, aqui nada se percebe sobre ela) achei meio estranho. Como assim pernambucano não gosta de baiano? Ouxi, nunca ouvi falar disso... E a gente aqui gosta tanto deles, da música, das manifestações culturais, até o sotaque é legal... É, mas o gostar não precisa ser um sentimento recíproco pra existir não... E aí eu lembro de Nanda Mantelli me falando que ela tinha ido pra um encontro de estudantes lá em Recife e que quando ela disse que era da Bahia, recebeu de resposta: até que você é legal pra uma baiana...  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Ah Recife! (2)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu já tinha ido pra o carnaval Recife-Olinda e já sabia o quanto era legal. Sim, sem dúvida é muito legal. Vale a pena 100% ir pra lá. Fui nesse ano, de novo. Bala. Galera animada, bons shows, clima legal na maioria do tempo... Mas assim, tem algumas coisas que precisam ser ditas... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existe uma onda que é a forma como é vendido um produto. É a coisa do marketing mesmo. E que não necessariamente (ou poucas vezes) representa o que realmente é aquele produto. Quando a gente chega em Recife, encontra logo no aeroporto umas adesivagens dizendo: Carnaval Multicultural. Certo, esse é o slogan né? Beleza. Mas o slogan faz parte daquele combinado publicitário que vende o produto. E cada um escolhe a forma de colocar na mente das pessoas a característica de seu produto que quer valorizar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Ah Salvador! (1)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;O produto “Carnaval de Salvador” é uma coisa interessante. O que se vende é a coisa dos blocos, são as Ivetes, Claudinhas, Durvais e Bells da vida. É vendido como o esquema em que você tem que comprar um abadá de um bloco da moda pra poder ser feliz. Mas na real a coisa é um pouco menos horrível do que se pinta por aí. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos por partes, mas antes já vem a conclusão bombástica: o carnaval de Salvador, em minha modesta opinião, é muito mais plural, que o de Recife-Olinda. Meu amigo Sávio Costa já comentava sobre isso. Trio de reggae, de dub, samba de roda, samba “carioca”, bloco da capoeira, trio com banda de rock instrumental, música eletrônica, Aviões do Forró, Novos Baianos, até trio com musica sertaneja já rolou esse ano. Isso pra não falar nas manifestações mais tradicionais dos já manjados blocos afro com seus samba-reggaes e ijexás, e os blocos com a tão mal falada axé music. Ah, e quando rolou de aparecer um tal de Fat Boy Slim no Carnaval do Brasil, onde ele foi parar? Coincidência? Acho que não. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Ah Salvador! (2)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de tudo tem gente que ainda diz que na Bahia nada de novo aparece. Só pra não dizer que isso tudo que eu falei é coisa manjada, variedade, mas coisa velha, que nada se renova na Bahia, esse ano teve duas das coisas mais interessantes dos últimos tempos: Magary Black Semba e Baiana System. Quem não ouviu ainda, cabe procurar no youtube por Magary (porque a gravação de áudio que ele tem disponível na net é fraca, tem que ver como é ao vivo) e por Baiana System (baianasystem.blogspot.com).  São sons de primeira e que, o mais importante, indicam novos caminhos pra a música pop produzida na Bahia. (Só de curiosidade, pra terminar de completar a pluralidade das terras baiânicas, o show de Magary no Pelourinho esse ano foi no mesmo dia de quem? Ora ora, Nação Zumbi! Ói Pernambuco na Bahia! Lembra que eu falei que aqui a gente gostava muito dos sons de lá? E Baiana System tocou junto com quem? Pepeu Gomes. Será que ainda dá pra dizer que o carnaval de Salvador é fraco nas atrações? Acho que não. ) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não quero dizer com isso que o carnaval de Recife é ruim não, muito pelo contrário, é bala, adoro, com certeza passarei mais alguns de minha vida por lá. Mas só tava viajando na onda da comunicação, afinal, embora às vezes não pareça, me formei em Comunicação Social. E adoro o “Social” do Comunicação. É muita onda viajar em como as coisas transmitidas e como são absorvidas pelo “social”. A viagem é de como uma coisa é apresentada de uma forma determinada e quais são os reflexos disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Refletir sempre vale&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;O mais incrível é que tem um bocado de gente de Salvador que entra nessas de falar mal do Carnaval Soteropolitano sem nem se ligar que tá reproduzindo uns papos sem refletir em nada a respeito. Tava conversando com Camile Viana dia desses bem sobre isso, sobre a onda de uma galera que meio que tenta ser contra “a grande mídia”, contra as grandes instituições, mas acaba indo pelo mesmo caminho, reproduzindo o discurso dos outros sem pensar de verdade a respeito. Afinal, é muito fácil chegar a falar que o carnaval de Salvador é um “apartaid” e que só tem banda merda “gritando vogais” como li esses dias numa revista por aí. Mas e aí, será que é só isso mesmo? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma coisa legal que meu primo Geraldinho Galindo falou certa feita sobre o carnaval de Salvador é que, às vezes, do jeito que algumas pessoas falam por aí, parece que em Salvador vão à ruas mais de um milhão de pessoas somente pra serem maltratadas. Assim, a grosso modo, vamos colocar (chutando um número alto) que desse um milhão de pessoas, 200 mil saiam em blocos da moda e camarotes chiques. Será que o resto, 800mil pessoas vão às ruas pra sofrer? Ah, porque a galera fica espremida entre as cordas e os camarotes, toma porrada da polícia, não-sei-o-quê... Velho, passar perrengue todo mundo passa, em qualquer lugar do mundo (por sinal eu passei pelo maior aperto de minha vida carnavalesca em todos os tempos foi em Olinda esse ano). Mas no final das contas, ainda acho que o saldo é bem positivo. Ainda mais pra mim porque as bandas que eu realmente gosto em geral estão se apresentando em trios sem cordas (que segundo o camarada Sávio Costa são a maioria em termos absolutos – eu não pesquisei a respeito mas achei completamente factível pela minha vivência carnavalesca soteropolitana), palcos espalhados pela cidade ou então estão em trios com cordas mas sem muvuca ao seu redor que desanime acompanhar.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Só que o que eu acho pior nessa onda de falar sem refletir é que isso rola com tudo né? Acho que o mundo moderno exige tanto tempo de trabalho que as pessoas acabem deixando a reflexão pra que os outros façam por elas. Vi outro dia, por acaso, um pedaço de uma conversa na rua e o cara falava pra o outro: ah mas o cara que morreu era traficante mesmo. Além da questão louca de como as coisas são apresentadas nos meios de comunicação pra definir se o cara era ou não criminoso, nos Bocões e Varelas da vida que eu não quero nem comentar a respeito agora, me veio a seguinte onda: será que o cara tá mesmo convicto de que ele acha que aquele broder merecia morrer só porque era traficante? Ou será que alguém colocou pra ele que “quem é traficante é filadaputa" e ele não parou nem pra pensar a respeito?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro também que um dia Paulinha Barreto me contou sobre um episódio em que ela estava em uma recepção de médico, eu acho, e a mulher do lado dela disse, meio que puxando assunto sobre o que passava na tevê, algo como “se tivesse mais prisão pra prender todo mundo esses marginais não estavam fazendo isso por aí”. E aí Paulinha respondeu: “se tivesse mais escola também não”.  E aí a broder que falou se aquietou. Imagino eu que parou pra refletir sobre o assunto sob uma ótica que ela nunca tinha analisado, talvez até percebendo que ela talvez estivesse deixando que alguém pensasse por ela. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Ah, as grandes corporações empresariais e de Mídia!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando à onda de como cada um resolve vender seus produtos: como eu disse antes, o produto “Carnaval de salvador” é vendido como aquela coisa de sempre, Chicletes de Águias, Sangalos de Leite e etc! Pronto, tá feita a mistura perfeita né? Perfeita? Perfeita pra quem? Tem uma faca de dois legumes (como diria o saudoso Dinho dos Mamonas) por aí... Esse reforço da (falsa) ideia de monocultura musical baiana tem vários motivos (e os seus respectivos reflexos) históricos e contemporâneos-comerciais. Pensei em duas coisinhas aqui: 1)Historicamente tem a onda de que quem transformou a folia momesca soteropolitana em uma mega indústria, que encheu os bolsos de muita gente, não iria largar o osso tão fácil né? É fato que, embora houvesse uma produção musical bem interessante já antes do iniciozinho dos anos 90, pré Daniela-Mercury-A-Cor-Dessa-Cidade-Sou-Eu, foi depois disso, depois que se firmou o formato que as bandas e produtores da época criaram, que a coisa se agigantou e passou a ter destaque mundial. 2) Quem é que a tevê quer mostrar? Quem tá por cima da carne seca. E aí, faz o quê? Bota os outros trios pra correrem porque a tevê vai dar uma chamada ao vivo tal hora e quem tem que estar na frente das câmeras é a banda que é mais conhecida. Ah, mas a prefeitura devia enfrentar o interesse do dono de tevê que quer passar somente Ivete Sangalo, Cláudia Leitte e Chiclete com Banana né? É... E perder o que isso também pode trazer de bom pra a cidade? Essa galera tem uma força que hoje em dia permite a eles dizerem assim: então tá, já que você não quer botar o que eu quero passar no horário que eu quero, então vou passar mais o carnaval do Rio e de Recife que lá eles estão mostrando o que eu quero mostrar. O futebol passou a ser coisa praticamente das madrugadas de dias de semana por quê? Será que o público prefere voltar pra casa de ônibus mais de meia noite tendo que trabalhar cedo no outro dia ou será que o horário das novelas da emissora campeã de audiência tem alguma coisa a ver com isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Mas tem que enfrentar né?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, mas tem que enfrentar esses sacanas locais pelo menos. Esses que querem (e conseguem às vezes) controlar o carnaval de Salvador né? Esses sacanas que aparecem como única opção, psedo-monocultura  soteropolitana! É, a prefeitura tem que cobrar mais dos blocos... Sim, também acho. Mas tem uma coisa que tem que ser observada: hoje em dia os blocos de carnaval são cartel Existem dois conglomerados que monopolizam todas as atrações que aparentemente interessam às grandes emissoras. Pressionar eles não é tão fácil assim. Hoje em dia não me surpreenderia ver o cartel dos blocos do carnaval baianos, apertados, ameaçarem pular fora, com todas as “principais” atrações pra uma outra cidade qualquer,  pra Aracaju, por exemplo. Qual prefeitura municipal, de qualquer lugar do país, que não iria querer uma coisa dessas? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, os caras têm força, é fato. Mas também não precisa fazer que nem um prefeito malandro, com nome de praia do litoral norte baiano que, no último dia de mandato (literalmente) assinou um ato “perdoando” todas as dívidas dos blocos de carnaval. Ai também é foda né, num precisa abrir as pernas desse jeito!&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;O termo axé desvirtuado.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diz que (caso típico de sujeito indeterminado) foi um jornalista meio metido a moderninho (engraçado pensar que moderninho na Bahia seja quem curte o já idoso rock and roll e menospreza algumas coisas de menos idade) quem cunhou a expressão “axé-music” com intenção de menosprezar a incipiente produção musical da cidade da Bahia. Mas aí parece que o tiro saiu pela culatra e a galera gostou da denominação. O que dava pra imaginar, afinal o termo “axé” pra os afro-descendentes tem uma importância e um valor muito grande. Mas aí, com o passar do tempo, veio o efeito contrário: a má imagem que terminou por se pregar no estilo que passou a ser reproduzida como “fórmula do sucesso garantido ”por tudo quanto é aventureiro da música, acabou por respingar no termo de tão forte significado pra o povo descendente de África. De uma forma tão forte que, imagino eu, incentivou a que uma galera passasse e usar a expressão com outra grafia, “asè”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Ah Recife! (3)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Interessante ver que o som de lá de Recife e arredores é bem recebido aqui, as pessoas adoram. Claro que não é aquela massa com neurônios preguiçosos ou sem tempo mesmo de procurar outras coisas e que acaba absorvendo o que o radio ou (mais ainda)que a novela traz. Esse pessoal aí vai dançar a “dança da moda” (que não é aquela música de Luiz Gonzaga), seja ela Axé, Sertanejo, Mambo, Reggae, Pagodão, MangueBeat,Vivaldi, Batidão,Led Zeppelin ou o que for do momento. Mas as pessoas daqui da Bahia que buscam um pouquinho mais da música, em geral gostam muito das coisas que vem de Pernambuco. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Ah mister dam!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falando em carnaval, fui para em Amsterdã um dia desses, por um contexto muito louco. E a conclusão foi uma só: Amsterdã é um carnaval eterno. Aí eu, em um momento de reflexão bastante profunda, em pleno parque que eu não lembro o nome, pensei: imagine um pico desses com o Psirico do Povão tocando? Afemaria, num ia dar o que preste. O lugar já é bundalelê demais. É melhor deixar cada pico com sua pegada festiva, se misturar pode dar curto e pimba! Apocalipse já, que o profeta pregou (citação sonora aos Racionais em Nada Como Um Dia Após o Outro, pra variar). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;A música é uma coisa só!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vi esses dias na tevê e tive até que anotar o nome, não vou mentir, mas não podia perder essa observação: “Ciumenta” de Cesar Menotti e Fabiano poderia facilmente ser gravada por uma banda emo dessas por aí, tipo Fresno, por exemplo. Basta só colocar guitarra distorcida no lugar do violão. Pronto, tá perfeito. E é ruim isso? Sei lá. É o que é. Os mais chatos podem dizer que, se a música é uma coisa só, nesse caso seria uma merda só. Mas não viajo nessa onda não. Acho massa até que tenha uns Parangolé sendo influenciado pelo metal do Angra. Viva promiscuidade musical! É assim que surgem coisas novas. Só que, para o caso específico Parangolangra, também num precisa plagiar, né? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O certo é misturar tudo mesmo. Chico Ciência diria “cadê as notas que estavam aqui? Não preciso delas, basta deixar tudo soando bem aos ouvidos.” E o detalhe é esse né, na definição de Chico ele ainda dá a ideia cheque: deixar tudo soando bem aos ouvidos. Aí entra o gosto pessoal. Gostar é uma coisa bem pessoal, cada um acha mais legal um ou uns tipo ou tipos de coisa. Mas o que não pode é viajar que num pode misturar. Como disse esses dias um professor de Psicologia com quem eu peguei umas aulas, Francisco, a música, assim como outros sistemas de conhecimento/comunicação, é um sistema de código aberto, que todo mundo pode meter a mão e alterar. Se ficar querendo fechar, num quiser que ninguém modifique, vira religião, tá ligado? Dogma, pá. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quanto à essa dupla que se apresenta como musica sertaneja, mas está longe do que chamava-se originalmente de sertanejo? É isso mesmo, a vida é assim, a estética deles tá bem mais pra rock gringo do que pra canção do povo do interior de Goiás? Até acho que tá. Mas e aí? É a onda da música, dando suas voltas. Nesse caso específico não me agrada, não vou mentir. Mas aí eu chego na casa de meus parentes lá em Montes Claros e tá tocando bem César Menotti e Fabiano. Eu vou ficar de cara feia? Já passei dessa idade né? Eu vou é tentar me divertir. E até ouvir com atenção, pra ver similaridades como essa com o Fresno que viajei. Só isso já valeu a audição, me diverti bastante imaginando as guitarras ali no lugar daquele violão elétrico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Buscar “um” espaço, não buscar “o” espaço&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Renato Russo disse, em uma entrevista bem antiga, na época que ele era vivo (dava até pra imaginar que foi nessa época né?), disse que “no Brasil às vezes a gente luta ‘pelo’ espaço, e não ‘por’ espaço”. Eu era meio guri quando vi isso, mas lembro bem. Lembro até que demorou pra eu entender direito o que ele disse. Agora parece óbvio, mas aquilo reverberou um bom tempo em minha cabeça pré-adolescente. Era a primeira vez que eu percebia que a gente não precisa lutar por um espaço especifico, pra tomar o espaço do outro, a gente tem que lutar pra criar espaço pra a gente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Valorizar a minha cultura não significa menosprezar outra&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem uma galera que confunde a onda de valorizar seus coisas com menosprezar as coisas os outros. Esse menosprezo me lembra até aqueles jogadores de futebol que fazem gol e querem comemorar sozinhos, chegando ao ponto de empurrar os companheiros que se aproximam pra comemorar junto. Será que só o que ele faz foi legal? Será que ele precisa tirar o mérito dos outros pra poder valorizar o seu mérito? E em alguns momentos, infelizmente, senti isso em relação a alguns camaradas da região do antigo Brasil holandês. Vi uns camaradas que andavam com a camisa do Esporte Clube Bahia serem ofendidos pelas ruas de Olinda e senti alguma rejeição pontual à minha camisa de fitinhas do Senhor do Bonfim. Mas como assim né? A galera de lá não adora usar camisa com a bandeira de Pernambuco? Porque da mesma forma os baianos não podem marcar seu pertencimento? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas calma lá, essas manifestações abertamente ofensivas são raras, graças a Jah. Mas de forma mais discreta algumas outras situações ocorrem que, embora não sejam nada demais (também não quero dar mais importância a essas coisas do que elas têm na realidade), não precisavam nem existir. Até porque aqui os recifenses são muito bem tratados. Prova disso é que até hoje a maioria das pessoas daqui de Salvador com quem eu já conversei sobre isso se espanta, não imagina que role essa onda entre Pernambuco e Bahia. Mas na real, é porque, como eu disse, ainda é uma coisa unilateral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viajando nessa onda da valorização do de um lado versus desvalorização do outro lado, lembro de Henderson Casali, broder dos idos tempos de Faculdade de Publicidade (e atual colega de estudos jurídicos) que certa feita me disse que achava a música “do Rappa” (que na verdade é do Ilê, mais precisamente de Paulinho Camafeu se não me engano) uma coisa muito preconceituosa porque dizia “branco, se tu soubesse o valor que o preto tem tu tomava um banho de piche e ficava preto também”. Pô rapaz, fazer essa leitura aí da mensagem acho que é meio vacilo, acho que é interpretação simplificada, desconectada da realidade concreta, tendente à má interpretação. No caso citado compreendo a onda como tentativa de valorizar o que não foi valorizado em outros momentos, mostrar que o que muitos pensavam ser fuleiro ou não existir, na verdade existe, tem força e tem valor. Não é dizer que o do outro não tem valor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Ah, a história do Brasil!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto às possíveis origens históricas da “rixa unilateral” Pernambuco-Bahia, Dona Joanete Pereira, grandessísima figura baiana, vulgarmente conhecida como minha mãe, me disse dia desses que tava lendo um livro e viu que desde as capitanias hereditárias rolam umas tretas nessa pegada aí. Eu não sei dizer ao certo (talvez Eduardo Penna geógrafo ou Camila Barbosa historiadora pudessem me clarear essa história) porque nem o livro que minha mãe leu eu li, mas parece que a Bahia era o centro do poder mas Pernambuco era mais independente, mais desenvolvida, sei lá, e não queria se submeter às ordens baianas, buscando sempre o contato direto com o Rei de Portugal. E aí o camarada que dava a linha aqui na Bahia, nem um pouco agradado com essas ozadia dos pernambucanos, pegava e ficava sacaneando, querendo dificultar a vida da capitania de lá. E os caras de lá (com alguma razão, me parece) ficavam pirados e querendo a caveira dos manda-chuva daqui. E daí pra rolar mais uma metonímia, tomarem a parte pelo todo, e passarem a odiar tudo quanto é baiano, me parece bem fácil até.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Ah Recife! (4 e final)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chico Science mudou minha vida, isso é fato. Quem me conhece um pouco sabe disso. Tipo assim, em minha história Chico Science veio antes de Gilberto Gil. E necessariamente um abriu caminho para o outro de modo que, pra mim, eles foram (e são) as duas maiores influências, não só musicais, como estéticas em geral e até políticas. De forma que sempre terei uma admiração por Recife e pelas manifestações culturais de lá. Sempre. Mas a viagem é só que, pra valorizar o que é de lá, eu não desprezo o que é daqui, como sinto que algumas pessoas acabam fazendo. Essa onda ter obrigatoriamente que comparar com outra coisa, de dizer que isso é melhor que aquilo, acho uma coisa muito da mentalidade brutalmente capitalista que vive no sub e no consciente da gente. É como no futebol: tal time tá em crise porque caiu pra segunda divisão. Tá, beleza, mas na primeira divisão só cabem 20 equipes. Se uma que tava em baixo subiu (aparentemente tá em boa fase né?) é porque outra desceu. No futebol é assim. Agora eu só acho que essa estrutura de competição não deve se estender a tudo na vida porque se não a tendência é dar merda.&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/-PZi5cmix2do/TeT3y3nRcTI/AAAAAAAAAHA/TBlGClOIIZM/s1600/DSC01476.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" src="http://3.bp.blogspot.com/-PZi5cmix2do/TeT3y3nRcTI/AAAAAAAAAHA/TBlGClOIIZM/s200/DSC01476.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5612883488904671538" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;P.S.: pra completar minha ligação, meu pezinho em Pernambuco, meu pai nasceu lá em Pesqueira, assim como Paulo Diniz (se bem que eu não sei se Paulo Diniz é de lá mesmo ou se ele só lançou essa conversa na música Capim da Lagoa pra rimar, sei lá). E, futebolisticamente falando, se estiver jogando Sport, Santa Cruz, Náutico, ou qualquer outro time de Pernambuco contra um time do sul-sudeste, sou mais Nordeste, tem nem dúvida! Moraes Moreira, como bom novo baiano que é, diria “de pernambucano me chame, porque Pernambuco é Brasil!”&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4314285796283699384-6819149842254966457?l=caramujonews.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caramujonews.blogspot.com/feeds/6819149842254966457/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4314285796283699384&amp;postID=6819149842254966457&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4314285796283699384/posts/default/6819149842254966457'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4314285796283699384/posts/default/6819149842254966457'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caramujonews.blogspot.com/2011/05/carnavais.html' title='Carnavais'/><author><name>Eduardo Galindo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01888080448230785768</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_97TceR_3n1E/SbWhfMu8BSI/AAAAAAAAADE/Z86Ll9EGEzs/S220/borra.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-PZi5cmix2do/TeT3y3nRcTI/AAAAAAAAAHA/TBlGClOIIZM/s72-c/DSC01476.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4314285796283699384.post-3450351139751142250</id><published>2011-04-30T23:20:00.008-03:00</published><updated>2011-04-30T23:56:30.295-03:00</updated><title type='text'>Crianças</title><content type='html'>Aí eu tava chegando em casa. De noite já. Meio cansado e tal. Entrei na garagem, estacionei o carro, pronto. E aí, quando tô andando pra o elevador, pelo portão um cara me chama. Era um cara de aparência “normal”: calça jeans, camisa social branca limpinha, barba feita. Era o que eu chamaria de “moreno”, nem era negro nem era branco. Ao lado dele, se bem me lembro de mão dada inclusive, uma menininha, uns 7 anos de idade. Vindo logo atrás uma mulher também arrumada de forma a parecer classe média alta, com mais duas crianças. E aí o cara me chamou. Beleza, num gerou tensão, parei pra ouvir colera de merma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Amigo, meu carro teve um probleminha aqui do lado e eu tô aqui com minha família, tava querendo pegar um taxi até um posto pra poder arrumar um mecânico mas to sem dinheiro aqui, só to com cartão...” E daí seguiu mais um bocadinho de papo até convincente. Parecia tudo encaminhado. Mas no meio do caminho tinha o garagista daqui do prédio, que viu a movimentação e veio chegando perto pra tomar pé do que acontecia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cara tava lá, já tinha me convencido e a porra, o papo dele tava de boa. Porra, o cara com três crianças, a mulher do lado... Mas o que quebrou ele foi um vacilo dele mesmo. Quando eu já tava com a carteira na mão o cara foi falar com o garagista dizendo: “você tá aqui a noite toda né? Daqui a pouco eu passo aqui e deixo o dinheiro em sua mão pra pagar a gentileza do rapaz aí...”. “Não, não, eu não vou estar aqui pra pegar seu dinheiro não, até porque você não vai voltar pra deixar dinheiro nenhum. Tá pensando que eu esqueci que você veio aqui outro dia com essa mesma conversa? O morador daquele dia tá até hoje esperando você voltar pra devolver o dinheiro dele...”. Foi só o garagista largar essa pra o cara perder a cabeça, fazendo cair total a máscara dele: “vou fuder com você mermão! Você nem sabe quem eu sou! Você me viu porra nenhuma por aqui!”. Aí se virou pra mim e disse: “Precisa mais do dinheiro não bróder, vou me virar aqui.” E vazou. Logo depois o garagista me disse que, conversando com o outro garagista soube que esse cara já tinha passado por lá 3 vezes, em intervalos médios de 2 ou 3 meses. Rapaz, essa situação dá reflexão pra mais de ano...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O carinha que veio pedir dinheiro tentou em primeiro lugar, se aproveitar daquela situação comum que eu chamaria de “solidariedade com quem se parece comigo”, muito comum no mundo moderno. O cara com a pegada típica que fazia pensar “porra, podia ser eu ali”. Não era, aparentemente, uma pessoa das marginalizadas parcelas da sociedade. E pra terminar de fuder tudo, o cara tava lá com três crianças! Três crianças! Velho, imagine a lombra que é isso... Para muito além do absurdo que é de o cara pegar três crianças e usar pra legitimar o golpe dele, tem uma coisa ainda mais escrota: como isso vai repercutir na cabeça daquelas crianças?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem uma música da banda Ponto de Equilíbrio, chamada “Hipócritas” que diz:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;“Hipócritas&lt;br /&gt;Distorcem minhas palavras&lt;br /&gt;Hipócritas&lt;br /&gt;Filhos do sistema&lt;br /&gt;Quando vejo um&lt;br /&gt;Volto ao passado&lt;br /&gt;E me lembro que ele já foi uma criança indefesa&lt;br /&gt;Mas o sistema destruiu e hoje elas cresceram&lt;br /&gt;Continuando a competir &lt;br /&gt;Continuando a se matar &lt;br /&gt;E tentando acabar com outras crianças&lt;br /&gt;(...)”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foi mais ou menos a mesma coisa que Carolas disse outro dia desses (tomei a liberdade de reproduzir aqui a postagem completa dela):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;"Essa semana descrevi umas pessoas para San dizendo que eram feias. Falei assim: e além de tudo, é um povo tão feio! Desde então tenho matutado sobre minha colocação que, se ouvisse de outro, ia achar preconceituosa e ignorante. Sabe quando a gente acha um namorado a pessoa mais linda do mundo e, quando descobre uma traição, a pessoa fica feia? Ela não mudou sua aparência, seu jeito, seu perfume, mas pluft, enfeiou. A beleza que me referi passa por atributos não estéticos como no caso da traição citada. Tem uns atos tão deselegantes e baixos que fazem a pessoa ficar feia. Quando encontro gente assim, sempre lembro de uma brincadeira de meu tio. Para abusar algum amigo, ele pergunta: ô fulano, ser feio assim dói? Você já nasceu feio ou ficou aos poucos? Tenho vontade de perguntar isso e acrescentar: Fulano, não encontro resquícios da criancinha linda que você foi. Cadê ela? Mostre um pouquinho da sua que eu te mostro meu lado bom e a gente vai poder brincar junto!"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;http://carolgloria.wordpress.com/&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já cansei de falar aqui o quanto eu acho escroto propaganda focada nas crianças. É covardia. Com adulto já é escroto, mas com criança é filadaputagem de grau maior. Gera conflito familiar, inclusive. A criança, coitada, passa a achar duas coisas: que ela tem a necessidade de ter aquilo; e que os pais dela têm a obrigação de dá-la aquilo. Aí é foda. Mano Brown já dizia na música 12 de outubro, do clássico disco Nada Como um Dia Após o Outro Dia:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;(...)&lt;br /&gt;Aí o moleque falou assim&lt;br /&gt;"Ih, esse aqui hoje xingou a mãe dele."&lt;br /&gt;Aí eu falei assim&lt;br /&gt;"Porque você xingou sua mãe?"&lt;br /&gt;"Ah, porque..."&lt;br /&gt;Não, nem foi isso, ele falou assim&lt;br /&gt;Eu falei&lt;br /&gt;"Vocês ganharam presente?"&lt;br /&gt;Eu perguntei&lt;br /&gt;Num foi não, Neto?&lt;br /&gt;"Vocês ganharam presente?"&lt;br /&gt;Aí ele falou&lt;br /&gt;"Ganhei foi um tapa na cara hoje."&lt;br /&gt;Aí eu falei&lt;br /&gt;"Porque você tomou um tapa na cara?"&lt;br /&gt;"Ah, minha mãe deu um tapa na minha cara, &lt;br /&gt;foi isso que eu ganhei, não ganhei presente não."&lt;br /&gt;Falou assim, ó, bem convicto mesmo&lt;br /&gt;Aí eu falei assim&lt;br /&gt;"Porque você tomou um tapa na cara?"&lt;br /&gt;"Ah, porque eu xinguei ela."&lt;br /&gt;"Ma', porque você xingou ela?"&lt;br /&gt;"Ah, lógico, todo mundo ganhou presente e eu não ganhei porque?"&lt;br /&gt;Aí eu fiquei pensando, né mano&lt;br /&gt;Como uma coisa gera a outra&lt;br /&gt;Isso gera um ódio&lt;br /&gt;O moleque com 10 ano, pô&lt;br /&gt;Tomar um tapa na cara&lt;br /&gt;No dia das criança&lt;br /&gt;Eu fico pensando&lt;br /&gt;Quantas morte, quantas tragédia&lt;br /&gt;em família, o governo já não causou&lt;br /&gt;Com a incompetência&lt;br /&gt;Com a falta de humanidade&lt;br /&gt;Quantas pessoas num morrero&lt;br /&gt;De frustração, de desgosto&lt;br /&gt;Longe do pai, longe da mãe&lt;br /&gt;Dentro de cadeia&lt;br /&gt;Por culpa da incompetência desses daí&lt;br /&gt;Entendeu?&lt;br /&gt;Que fala na televisão&lt;br /&gt;Fala bonito&lt;br /&gt;Come bem&lt;br /&gt;Forte, gordo&lt;br /&gt;Viaja bastante&lt;br /&gt;Tenta chamar os gringo aqui 'pa dentro&lt;br /&gt;Enquanto os próprio brasileiro tão aí, ó jogado&lt;br /&gt;No mundão&lt;br /&gt;Do jeito que o mundão vier&lt;br /&gt;Sem nenhum plano traçado&lt;br /&gt;Sem trajetória nenhuma&lt;br /&gt;Vivendo a vida&lt;br /&gt;Só&lt;br /&gt;E o moleque era mó revolta, vai vendo&lt;br /&gt;Moleque revolta&lt;br /&gt;E ele tava friozão&lt;br /&gt;Jogando bola lá, tal&lt;br /&gt;Como se nada tivesse acontecido&lt;br /&gt;Ali marcou pra ele&lt;br /&gt;Talvez ele tenha se transformado numa outra pessoa aquele dia&lt;br /&gt;Vai vendo o barato&lt;br /&gt;Dia das criança&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem foi que incutiu na cabeça da criança ali que ela tinha que ganhar uma porra de um presente nessa data ridícula, pra fuder mais ainda a cabeça da criança que já tá aí vivendo num mundo onde tudo tá contra, já tá numa realidade escrota cheia de coisa anunciada na tevê que ela nunca vai conseguir ter? E aí pega uma porra de um pai mais escroto ainda, como o que me pediu dinheiro na porta da garagem, que tem alguma condição, e bota as crianças pra viverem com ele, desde de pequenos, no meio de furtos, enganações, mentiras e filadaputagem! Se é que é pai mesmo! Aí a criança cresce achando que essa é a forma de fazer as coisas, enganando os outros, tentando ganhar dinheiro na malandragem. Rapaz, nessas horas, penso seriamente sobre a viabilidade da sociedade humana. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas enfim né? O mundo continua esse aí, por enquanto ao menos. E a gente segue por aí falando um bocado de besteira pra quem quiser/tiver tempo de ouvir/ler. Só que tem horas que cansa. Cansa acreditar que alguma coisa vai mudar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mestre Faísca me ensinou a respeitar o conhecimento dos mais velhos. E por mais velhos, tinha até uma banda antiga que dizia: “It’s getting better all the time”. Tomara que eles estejam certos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4314285796283699384-3450351139751142250?l=caramujonews.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caramujonews.blogspot.com/feeds/3450351139751142250/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4314285796283699384&amp;postID=3450351139751142250&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4314285796283699384/posts/default/3450351139751142250'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4314285796283699384/posts/default/3450351139751142250'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caramujonews.blogspot.com/2011/04/criancas.html' title='Crianças'/><author><name>Eduardo Galindo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01888080448230785768</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_97TceR_3n1E/SbWhfMu8BSI/AAAAAAAAADE/Z86Ll9EGEzs/S220/borra.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4314285796283699384.post-8886130827565302522</id><published>2011-03-19T13:17:00.010-03:00</published><updated>2011-03-27T00:27:19.027-03:00</updated><title type='text'>Música cultural brasileira</title><content type='html'>1.Entrevista com uma turista no Pelourinho, Centro Histórico, Salvador, Bahia, durante o carnaval: ah, é bom essa coisa aqui de cultura, pra a gente ver que o carnaval não é só aquele esquema de blocos e tal...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2.Vídeo da cantora meio hype do momento, Mariana Aydar no Youtube e embaixo um comentário: linda! isso sim é música de muito bom gosto...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3.Julio Landim Mano, meu amigo dos tempos da faculdade, formado em comunicação, mestre e atual doutorando lá pela zoropa, disse certa vez, quando conversávamos sobre cinema (área pela qual transitam seus estudos acadêmicos) que um determinado filme era mal feito. Eu disse que eu gostava e achava que as pessoas tinham muita má vontade em relação àquele filme. Aí, após muita discussão saudável, e talvez uma certa insistência minha, Julinho mandou a sentença: você quer entender porque o filme é mal feito então vá estudar cinema!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certo. O contexto é esse aí. Vai vendo a dacolé dessas onda aí (o erro de concordância é proposital, só pra esclarecer). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Carnaval&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem dúvida que é bom, como disse a menina entrevistada no carnaval, ver que existem outras coisas. Sempre é bom. Mas porque o que eu acho bom é cultura e o resto é resto? Porque sou eu quem pode definir essa diferenciação? De onde vem a noção do que é cultura e o que não é? A maioria das pessoas, imagino eu, utiliza expressões sem estarem convictas do significado que estão dando a a elas. Ou melhor, utilizam sem terem pensado no significado delas. Eu também faço isso às vezes, todo mundo faz. Mas nessa situação específica acho meio foda. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Cultura é tudo&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo que é produzido pelo homem é cultura. A cultura de um lugar é a forma que aquela população realiza tudo, é a forma que se interage com o ambiente, a forma como se transforma algo em prol de um objetivo.  A forma que a gente tá acostumado a comer batata frita com a mão, a forma como se come lasanha de garfo e faca, a forma que se plantam pés de cacau em baixo de outra árvores mais altas, a forma que as pessoas interagem a fim de alcançar seus objetivos sexuais-procriatórios, a forma de lidar com o que é diferente, o dia que se realizam missas e cultos religiosos, a posição de cagar... tudo isso é cultura. Tem vezes que a gente fala: a cultura de um determinado povo é muito diferente da nossa. Beleza.  Aí me parece um bom uso da palavra. Mas quando a galera quer falar que “ah, isso é que é musica boa, isso que é cultura...” pra mim tá bem colocada só a primeira parte da frase. Porque definir o que é musica boa ou ruim é coisa bem pessoal. Já dizer que “isso é cultura e isso não é” pra mim é uma má utilização da expressão ou então uma pretensão sem tamanho (essa segunda opção no caso de ser uma colocação pensada né? Como eu dizia, creio que a maioria fala sem pensar direito a respeito).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teve uma banda que vi dia desses (por dia desses entenda-se há alguns anos) que colocou no seu slogan (sim, as bandas de hoje em dia tem slogan) “musica cultural brasileira”. Na época não dei muita importância. Se bem me lembro era uma banda até interessante, que me agradava, embora eu ache melhor não citar o nome. Só que depois, pensando bem, achei que foi de um mau gosto terrível. Soa pretensioso demais. É como uma outra banda que existia aqui no underground de Salvador (que também não vale citar nome) que começava seu texto de divulgação (o famoso release) dizendo: “nós não somos uma banda, somos uma atitude sonora”. Caracas veio, é se achar um pouco demais, eu acho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;(Aparente) exagero de lá não justifica exagero de cá&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem musica que eu acho apelativa demais, tem sim senhor! Tem um bocado de música que ouço e digo “porra, os caras pegaram pesado aí”. Mas e aí, eu vou ficar condenando? Porra nenhuma. Se passou do limite pra mim, eu simplesmente não vou atrás disso. Vou correr atrás do que eu acho legal. Cada um na sua. Ah, mas o pagode baiano, o funk carioca e o não-sei-o-que-mais passam do limite... Velho, e qual é o limite? Quem define o limite é cada um. É todo mundo enquanto sociedade, mas é cada um dando a palavra final. Não carece de muita pesquisa pra a gente ver que o que hoje é normalíssimo, antes era absurdo. Até outro dia na tevê não passava nem beijo. Hoje tem cenas de quase sexo explícito. Os limites são fluidos e móveis. A nudez aparecia em obras de arte desde que o mundo é mundo. E centenas de anos depois, ainda não podia aparecer em outros lugares. Porque era considerada apelativa, não artística.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse conflito no mundo das artes é bem antigo e, pegando carona nas pesquisas de José Ramos Tinhorão, por exemplo (por sinal eu tinha um certo preconceito com ele mas depois de dois livrinhos dele, mudei de opinião), vê-se que a perseguição em relação à musica por questões relacionadas à sua linguagem ou seus rituais escondia, nos tempos idos, muitas vezes, a intenção de eliminar os traços das culturas (ói elas aí de novo) dos povos submetidos à dominação.  Ou seja, o policiamento estético era intestinalmente ligado com o objetivo de dominação mais eficiente. E nessa complexa situação (um bolo doido, eu diria) é claro que aparece também a função importantíssima da religião católica como fonte para a imposição de padrões de comportamento.  Num pode né, esses preto aí fazendo batuque “rudimentar” sem as bonitas melodias européias e dançando tudo um se roçando no outro né? É, esse preto aí tem que tomar vergonha na cara, deveriam falar alguns padres daqueles tempos (e de hoje também)  sem querer nem saber que aquilo ali, aquele samba de roda, provinha de rituais que em suas origens faziam mesmo referência ao acasalamento.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sexo e naturalidade&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu acho que não precisa ser nenhum profissional da área de psicologia pra ver que o que é proibido é o que mais dá vontade de fazer. Principalmente pra os jovens-adolescentes-crianças. Não precisa ser estudioso, basta ter sido adolescente pra ter visto isso na prática. E uma coisa básica também para gerar o interesse: proibições sem motivos nítidos. Tipo assim: não pode pular da janela porque se não você morre. Ah tá, beleza. Não pode fumar maconha porque faz mal. Faz mal? Como assim? É, é assim, faz mal. Mas faz mal pra quê? Mal pra cabeça, dá câncer, é coisa de doidão, sei lá. Porra pai, esse papo aí não me convenceu não...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque o sexo é um assunto proibido? Velho, essa parada é uma coisa instintiva, coisa básica que o ser humano sente vontade mesmo sem nem saber que porra é direito. Então porque tanto mistério? Ah, é porque se liberar demais todo mundo vai sair por aí cheio de filho. Se a justificativa fosse essa eu até iria “quase” entender (entender, eu não disse concordar). Mas quando a gente vê que essa porra é assim porque a nossa cultura (olha a cultura aí gente!) foi montada baseada numa igreja que queria um padrão de família e sociedade que talvez não fosse o natural do mundo, aí é foda.  E, na minha humilde opinião, quanto mais esconde essa porra que deveria ser natural, mais o povo se amarra quando vem uns caras e botam pocando nas letras de música, falando um bocado de putaria. Lembro nitidamente de meus tempos de roqueiro alternativo baiano quando ia pra os shows da banda Dois Sapos e Meio e via como quando chegava no refrão que dizia “se isso for um presságio, vá se fuder”, mesmo a galera que num tava nem aí pra o show, se empolgava e gritava a plenos pulmões o palavrão. Porra, aquilo era uma libertação! Acho que tem uma conexão com as letras “de putaria” que rolam por aí. Como Gerônimo disse também dia desses, a galera quer ser contra o sistema, e a forma que acha que tá sendo é botando o pau pra fora, é falando de putaria e fazendo dança de sacanagem. Certo ou errado (se é que essas definições existem) acho natural essa empolgação com o que é “proibido”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Cultura reflete o que é o povo&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a cultura de um povo é aquela porra toda que eu disse um pouco antes, a forma como o povo faz tudo, a cultura só pode ser o reflexo do que realmente é o povo. Se ele é aquilo hoje porque sofreu uma aculturação estadunidense, porque a mídia quer que ele seja assim ou se ele é essa porra mesmo desde que o mundo é mundo e fudeu, pouco importa nesse momento. O fato é que a cultura (ou seja tudo que o povo produz) é a cara dele. A música, logicamente, vai ser a cara dele também. Se tem muita putaria nas letras e nas musicas em geral, é porque o povo tá curtindo isso. Mas assim, além da viagem de “o que é proibido instiga”, talvez se houvessem outras opções sonoras disponíveis, alguma parte dos que hoje ouvem musica “baixaria” deixaria de ouvir. Mas uma outra parte certamente que não, certamente que preferiria continuar escutando essas coisas mesmo. É a onda que conversei dia desses com Nanda Abóbora da relação que cada um estabelece com a música. Tem gente que utiliza da música somente pra diversão. Tem gente que usa pra expandir a consciência, tem gente que usa pra relaxar. Nessa viagem, tem uma galera que se relaciona com a música somente em contexto de celebração, de festa, de interação social. Essa galera talvez continuasse a querer ouvir só isso mesmo. E talvez se o sexo não fosse uma coisa tão escondida na realidade de nossas sociedades ocidentais, uma outra grande parte acharia que a música-putaria perderia a graça. Mas mesmo assim ela continuaria existindo e tendo seu espaço. No final da contas, gosto é que nem cu, cada um tem o seu, embora alguns sejam bem parecidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Primeira apresentação de samba no palácio da presidência&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu realmente não lembro mais onde eu li ou assisti (muita informação, meu HD mental já tá pedindo arrego) algo sobre a primeira vez que foi tocado um samba no palácio presidencial, num evento oficial. Diz que (como diria Daniel Abreu, o “diz que”, esse exemplar baianístico típico de sujeito indeterminado...) diz que foi um absurdo, um bocado de gente reclamando, achando aquilo uma pouca vergonha, aquela música vulgar em evento oficial... E hoje se duvidar até o papa dança na boquinha da garrafa (afinal Humberto Gessinger disse que ele é pop né?). E a mesma repressão sofreu o rock em seu início (sendo taxado de música apelativa, pobre e etc) e eu me admiro hoje (como diria Mestre Pastinha) de ver alguns roqueiros baianos amigos meus usando (ainda!) os mesmo argumentos pra esculhambar a música produzida em massa na Bahia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E o sexo dos outros?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não sei, mas gostaria até de pesquisar como é a relação de outras culturas com o sexo. Como lidavam com isso as tribos africanas, as tribos ameríndias, os povos que não tiveram a presença massiva da igreja católica apostólica romana em sua vida recente. Imagino que existem outras possibilidades de como tratar do assunto que, talvez, sejam mais tranqüilas e diminuam essa pegada “proibidão” que é lançada sobre o tema. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Cultura e arte&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tentativa de separar o que é “cultura” do que não é, do que pode ser caracterizado como fútil, de baixo calão, de mau gosto e o caralho, tende, muitas vezes, a esconder uma reprodução de pensamento preconceituoso com relação à classe (som de pobre, de favelado, não dá gente bonita, só tem ladrão), em relação à origem (um forró que só vai nordestinos cabeça chata em plena cidade de São Paulo) e em relação à cor da pele (som de preto, nigrinhagem, as mulé tão tudo de colene escorrendo pelos cabelos). Peguei pesado? Acho que não, quem pega pesado sem perceber é que usa esse tipo de discurso. E é mais ou menos por aí que circulam alguns argumentos negativos pra esse ou aquele evento artístico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem uma outra coisinha sobre cultura que queria ter falado antes mas o funcionamento louco dos textos do Caramujo News só me permitiu falar agora. É sobre a coisa da musica “cultural” que a galera fala por aí. Cultura, eu falei inda agora que é, no conceito que me parece mais interessante, tudo que é produzido pelas mulheres e homens do mundo ou de uma determinada localidade. E por outro lado, temos a definição de arte, que é uma coisa bem diferente... Hum, aí então é que está a pagadinha né? Será?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arte, a grosso modo, é uma coisa que pressupõe beleza ou ao menos relevância estética. Ah, então o caso é esse né? É so a gente dizer que aquela música malfeita não é arte, ao invés de dizer que não é cultura né? Rapaz, o buraco talvez seja um pouco mais embaixo ainda eu acho...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Okay, estética né? Arte depende disso né? Mas nessa onda de estética tem uma coisa meio subjetiva né? Hum, é vero... E aí, quem é que vai definir o que tem valor estético relevante, quem é que vai dizer que essa ou aquela musica não tem valor, não é bela? É algo muito complicado também. Só pra não dizer que eu tô subjetivando demais o papo, imagine a situação concreta: o cara chega da gringolândia; nunca ouviu nada de axé music. Ele pode facilmente ouvir por aqui a banda considerada a mais clichê desse gênero musical que pra ele provavelmente vai ter uma relevância estética considerável. Pra ele será uma coisa inovadora, de relevância para a absorção de novos padrões estéticos. Isso pra não falar na questão mais subjetiva da beleza (vai que o cara acha bonito mesmo...). Ou seja, aquilo tendo uma relevância estética, trazendo pra ele novos padrões estéticos, novas formas se comunicar, tá lindo, é arte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E Julinho nessa história?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quando Julinho disse que eu deveria estudar pra entender porque o filme era mal feito? Creio que ali, Júlio Mano, meu amigo que mora em meu coração, se passou um pouco. Se passou porque, em primeiro lugar, lançou uma frase que tende a direção de pensamento que subestima conhecimentos e hierarquiza-os. A colocação do meu camarada impõe a mim, cidadão comum que não estuda profundamente a cinematografia, uma incapacidade de análise à qual eu, sinceramente, não me sinto submetido.  Beleza, pode-se dizer que o cinema tem uma linguagem específica e que saber utilizá-la é saber fazer cinema, quem não caminha por ali tá fazendo coisa mal feita, e só quem estuda isso de verdade compreende as obras em sua totalidade né? Porra, eu não acho que seja por aí não. Acho que, sim o cinema tem linguagens, várias, diga-se de passagem. Mas para além disso, as renovações na linguagem acontecem quando as pessoas fazem coisas que estão fora dessas linguagens, ou pelo menos alteram algo, misturam-nas, sei lá. No final das contas eu creio que o estudo deve ser entendido como ferramenta para auxiliar na compreensão da arte (ou qualquer área do conhecimento humano), não como um fator excludente de dizer: você não estudou isso, você não pode falar nada. O papel de quem detém o conhecimento, ao meu ver, é justamente de tentar disseminá-lo. Uma discussão entre uma pessoa que tem um estudo específico de determinada coisa e outra que não tem, serve para que a que se aprofundou naquilo possa fazer com que o “leigo” passe a observar fatores que não haviam sido observados, para que o hoje leigo possa amanhã ter mais fundamento para as suas análises. E nessa pegada, na situação observada, eu realmente dei bastante chance, tentei pedir explicações maiores de porque aquele viria a ser um filme mal feito, dei exemplos de filmes que eu vi e achei mal feitos, pra efeito de comparação... E no final fiquei sem um acréscimo significativo do meu conhecimento cinematográfico porque meu camarada se cansou e me mandou estudar cinema. Okay, vou aliviar o lado de Julinho porque era uma mesa de bar, o álcool estava sendo ingerido a algumas horas, era a despedida dele... Faz parte ele não ter tido saco de se aprofundar muito nas explicações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E a reticência pra acabar o texto sem acabar...&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E só pra terminar a viagem e o carnaval de Salvador brou? Acho de uma simplificação e reprodução-sem-reflexão-de-verdade  muito brutal dizer que o carnaval de Salvador não é democrático e que só tem porcaria. Mesmo tendo passado 6 anos dos últimos 9 sem sair no carnaval de Salvador (talvez exatamente por isso) digo com tranqüilidade que o carnaval de Salvador é muito democrático e de alto padrao estético artístico. A grande dúvida agora é se continuo esse papo ou deixo pra outro dia... É , de repente acho que é melhor ficar pra a próxima...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-8DI5bqpedA4/TYTaoBcfTjI/AAAAAAAAAG4/fFi5S-5bNiw/s1600/165212_121007797967922_100001761076469_137414_4236227_n.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" src="http://2.bp.blogspot.com/-8DI5bqpedA4/TYTaoBcfTjI/AAAAAAAAAG4/fFi5S-5bNiw/s200/165212_121007797967922_100001761076469_137414_4236227_n.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5585829818963807794" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4314285796283699384-8886130827565302522?l=caramujonews.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caramujonews.blogspot.com/feeds/8886130827565302522/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4314285796283699384&amp;postID=8886130827565302522&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4314285796283699384/posts/default/8886130827565302522'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4314285796283699384/posts/default/8886130827565302522'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caramujonews.blogspot.com/2011/03/musica-cultural-brasileira.html' title='Música cultural brasileira'/><author><name>Eduardo Galindo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01888080448230785768</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_97TceR_3n1E/SbWhfMu8BSI/AAAAAAAAADE/Z86Ll9EGEzs/S220/borra.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-8DI5bqpedA4/TYTaoBcfTjI/AAAAAAAAAG4/fFi5S-5bNiw/s72-c/165212_121007797967922_100001761076469_137414_4236227_n.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4314285796283699384.post-5032529636876813559</id><published>2007-03-08T00:33:00.000-03:00</published><updated>2007-03-08T01:21:19.495-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;strong&gt;Novo blog, novo visual, idéias não tão novas e autor quase manjado!&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ok, ok, me entreguei à derrota! Após mais de 3 anos de Caramujo News no blogger.com.br e após sumir pela quarta vez minha paradinha de comentários, me indignei e migrei. É triste, pois toda despedida é triste. Mas de repente pode ser sinal de um novo período na vida né? É! E se não é, acaba sendo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espero que a estadia aqui no blogspot.com seja mais traquila que a de lá. E espero não perder mais as poucas (porém importantíssimas!) palavras dos amigos que aqui comparecem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beijus e abraços, meus queridos! Cada um escolhe o seu!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Duda Borrão Galindo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.S.: caracas, o apelido dado por Xande "Bactéria" Montenegro já entrou até no meu nome "altístico"!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4314285796283699384-5032529636876813559?l=caramujonews.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://caramujonews.blogspot.com/feeds/5032529636876813559/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4314285796283699384&amp;postID=5032529636876813559&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4314285796283699384/posts/default/5032529636876813559'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4314285796283699384/posts/default/5032529636876813559'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caramujonews.blogspot.com/2007/03/novo-blog-novo-visual-idias-no-to-novas.html' title=''/><author><name>Eduardo Galindo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01888080448230785768</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='20' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_97TceR_3n1E/SbWhfMu8BSI/AAAAAAAAADE/Z86Ll9EGEzs/S220/borra.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry></feed>
